Estreia 18/03 – Katô: Sonhos da Terra Sombria

Katô Sonhos da Terra Sombria
Katô Sonhos da Terra Sombria | Divulgação

Documentário sobre a resistência do povo Munduruku na Amazônia estreia com evento internacional online

Por Redação

Um novo documentário internacional coloca a Amazônia brasileira no centro do debate global sobre território, memória e futuro do planeta. Katô: Sonhos da Terra Sombria estreia em 18 de março de 2026 como parte da série A Canção Eterna – A Sabedoria dos Ancestrais, um projeto cinematográfico composto por doze filmes dedicados às histórias, territórios e conhecimentos de povos indígenas ao redor do mundo.

O filme mergulha na realidade do povo Munduruku da aldeia Sawré Muybu, localizada na bacia do rio Tapajós, no Pará. A produção acompanha lideranças indígenas e um coletivo de comunicação audiovisual liderado por mulheres que documentam a defesa de seu território diante do avanço da mineração ilegal de ouro e da exploração madeireira.

Mais do que um retrato ambiental, o documentário revela como a destruição da floresta ameaça também sistemas profundos de memória, espiritualidade e cultura que sustentam a vida coletiva desses povos.

Amazônia, território e memória

Em Katô: Sonhos da Terra Sombria, o território não aparece apenas como espaço geográfico, mas como parte essencial da identidade e da cosmologia do povo Munduruku.

A contaminação por mercúrio provocada pelo garimpo ilegal, por exemplo, não atinge apenas os rios. Ela compromete um sistema de relações entre corpo, natureza e conhecimento que atravessa gerações.

O líder Munduruku Juarez Saw Munduruku, cacique da aldeia Sawré Muybu, sintetiza essa visão presente no filme:

Quando falamos do rio ou da floresta estamos falando de uma vida que alimenta todos. O próprio rio é uma vida.

Sonhos, conhecimento e espiritualidade

Entre as vozes presentes no documentário está a advogada indígena, artista e ativista Vandria Borari, que reflete sobre as formas de conhecimento preservadas pelas culturas indígenas.

Segundo ela, muitas pessoas dizem que os sonhos são bibliotecas de conhecimento. Mas essas bibliotecas não estão nas universidades. Elas estão na espiritualidade e no território.

A ativista também resume de forma direta o impacto da destruição ambiental sobre os povos da floresta.

Sem a floresta não existe memória.

Povos indígenas e a proteção do planeta

O documentário também apresenta reflexões de importantes lideranças indígenas contemporâneas, entre elas a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sônia Guajajara.

Ela lembra que a defesa dos direitos indígenas está diretamente ligada à proteção ambiental global.

Quando falamos em proteger os povos indígenas, seus direitos e suas culturas, estamos falando da proteção de toda a humanidade.

Diversos estudos internacionais apontam que, embora representem cerca de 5 por cento da população mundial, os povos indígenas protegem aproximadamente 82 por cento da biodiversidade existente no planeta.

Comunicação indígena como instrumento de resistência

Outro eixo importante do filme é o papel do audiovisual na luta pelos territórios.

A líder Munduruku Aldira Akai Munduruku destaca que a câmera se tornou uma ferramenta política e cultural para os povos indígenas.

Peguei a câmera e percebi que tínhamos uma arma poderosa para nossa luta. Dizemos que a flecha desta jornada é a câmera.

Esse movimento dialoga com o crescimento de coletivos de comunicação indígena no Brasil, que utilizam cinema, rádio, internet e redes sociais para fortalecer suas narrativas e defender seus territórios.

Uma série global sobre saberes indígenas

Katô: Sonhos da Terra Sombria integra a série internacional A Canção Eterna, um projeto cinematográfico que apresentará ao longo dos próximos anos doze documentários dedicados a diferentes povos indígenas.

Entre os territórios retratados na série estão comunidades indígenas do Brasil, da Nova Zelândia, do Canadá, da Austrália, da Groenlândia, do Havaí, do Quênia e dos Estados Unidos.

O projeto surgiu em 2022, quando uma pequena equipe de filmagem iniciou uma jornada para documentar os impactos da colonização sobre povos indígenas e seus territórios. O que começou como um único filme acabou se transformando em uma série internacional dedicada a registrar histórias de resistência cultural, cura coletiva e reconexão com a Terra.

Estreia e evento internacional

A estreia mundial de Katô: Sonhos da Terra Sombria acontece em 18 de março de 2026 e será acompanhada por um evento online internacional de três dias, entre 18 e 20 de março.

Durante o encontro, lideranças indígenas da Amazônia, artistas, pesquisadores e ativistas participarão de conversas e debates sobre território, cultura, comunicação indígena e proteção ambiental.

O público poderá assistir ao filme completo e acompanhar os diálogos promovidos pelo projeto.

Como assistir ao filme

Leitores interessados em conhecer a história do povo Munduruku, assistir ao documentário completo e participar do evento online já podem se registrar gratuitamente no site oficial do projeto.

Acesse
https://theeternalsong.org/kato/

O cadastro permite acompanhar a estreia do filme e também conhecer a série completa A Canção Eterna, que apresentará histórias de diferentes povos indígenas da Amazônia, da Oceania, da África e das Américas.

Cinema, memória e futuro

Mais do que um documentário ambiental, Katô: Sonhos da Terra Sombria propõe uma reflexão profunda sobre memória, espiritualidade e pertencimento.

A obra lembra que proteger a floresta também significa preservar culturas, histórias e conhecimentos que mantêm viva a relação entre humanidade e natureza.

Assistir ao filme é também uma forma de ampliar a visibilidade das lutas indígenas e fortalecer o diálogo global sobre o futuro da Amazônia, da biodiversidade e da própria humanidade.

Redação Rádio Yandê

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