Entre os dias 17 e 19 de julho, as aldeias Mirapé e Coroa Vermelha recebem mestres, lideranças, jovens, brincantes e parentes de diferentes territórios para celebrar tradições vivas do povo Pataxó

AGENDA | Entre os dias 17 e 19 de julho de 2026, as aldeias Mirapé, em Porto Seguro, e Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, no extremo sul da Bahia, recebem o 2º Encontro de Reisado e Samba Pataxó. Com entrada gratuita e aberto ao público, o encontro reúne representantes de diferentes aldeias, mestres, lideranças, jovens, brincantes, famílias Pataxó, parentes de outros territórios e visitantes.
Mais do que um evento cultural, o encontro é um espaço de memória, reencontro e continuidade. O Reisado e o Samba Pataxó são expressões vivas que atravessam gerações, territórios e histórias de resistência. Por meio dos cantos, rezas, danças, máscaras, bicharadas, toques, brincadeiras e rodas de convivência, as comunidades reafirmam seus modos próprios de existir, ensinar, celebrar e proteger seus conhecimentos.
A expectativa da organização é receber cerca de duas mil pessoas ao longo dos três dias de programação.
Cultura viva não é lembrança parada no passado
Transmitidos de geração em geração, o Reisado e o Samba Pataxó articulam música, dança, espiritualidade, oralidade, organização comunitária e práticas de transmissão de saberes. Cada canto, cada passo e cada toque carrega histórias de famílias, aldeias, deslocamentos, retomadas e permanências.
Essas manifestações têm origem em Barra Velha, reconhecida como aldeia-mãe do povo Pataxó. Após o Fogo de 1951, muitas famílias foram obrigadas a deixar seu território de origem. Mesmo diante da violência e da dispersão, levaram consigo suas memórias, suas brincadeiras, seus cantos e suas formas de celebrar. Assim, o Reisado e o Samba acompanharam a formação de diversas aldeias Pataxó e seguem vivos até hoje como caminhos de resistência, continuidade e afirmação cultural.
No território, a cultura não está separada da vida. Ela está no corpo, na comida coletiva, na fala dos mais velhos, na presença das crianças, no futebol entre aldeias, na roda de conversa, na espiritualidade, na festa e na organização comunitária. Por isso, o encontro também fortalece vínculos entre gerações e amplia a troca de experiências entre mestres, lideranças, brincantes, jovens e visitantes.
Aldeias e grupos participantes
A edição deste ano reúne diferentes formas de viver e celebrar o Reisado e o Samba Pataxó. Participam grupos de aldeias como Barra Velha, Boca da Mata, Águas Belas, Pé do Monte e Coroa Vermelha.
Entre os grupos confirmados estão:
Marujos Pataxó de Barra Velha
Tinderê Pataxó de Boca da Mata
Marujos de Santo Reis e São Sebastião de Águas Belas
Samba do Pé da Pedra de Pé do Monte
Folia de Santo Reis Pataxó de Coroa Vermelha
A presença desses grupos evidencia que o Reisado e o Samba Pataxó não têm uma única forma de existir. Cada aldeia guarda seus modos de fazer, seus ritmos, suas memórias e suas formas próprias de transmitir a tradição.
Carta das lideranças marca passo importante para reconhecimento patrimonial
Um dos momentos centrais do encontro será a leitura e assinatura da Carta das Lideranças e da Comunidade Pataxó, documento que solicita a abertura do processo de registro do Reisado e do Samba Pataxó como patrimônios culturais de natureza imaterial da Bahia.
A carta será encaminhada ao Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia — IPAC, formalizando uma solicitação construída coletivamente pelas comunidades.
Esse passo é importante porque o reconhecimento patrimonial pode contribuir para fortalecer ações de salvaguarda, valorização, transmissão de saberes e proteção das tradições. Mas, para a comunicação indígena, é fundamental lembrar: o patrimônio já existe antes do reconhecimento do Estado. Ele vive nas comunidades, nos corpos, nas vozes, nos territórios e nas práticas cotidianas do povo Pataxó.
O registro oficial não cria a cultura. Ele deve reconhecer, respeitar e fortalecer aquilo que as comunidades já mantêm vivo há gerações.
Tradição também conversa com juventude
Além das apresentações de Reisado e Samba Pataxó, a programação inclui Hip-Hop indígena, apresentações e Batalha de Rap Pataxó. A presença da juventude mostra que tradição não é o contrário de futuro. A cultura Pataxó se movimenta entre os mais velhos e os mais novos, entre a oralidade ancestral e as novas linguagens, entre a brincadeira tradicional e a palavra rimada dos jovens.
Essa convivência entre gerações revela a força de uma cultura que não precisa ficar congelada para ser respeitada. Ela segue caminhando, se atualizando e criando novas formas de expressão sem romper com suas raízes.
Programação reúne cultura, convivência e comunidade
Ao longo dos três dias, o encontro contará com apresentações culturais, rodas de conversa, refeições coletivas, futebol entre comunidades, atividades com jovens e um grande forró de encerramento.
A programação começa na sexta-feira, dia 17 de julho, na Aldeia Mirapé, com recepção dos parentes, almoço comunitário, abertura oficial com caciques e lideranças, apresentações de Reisado e Samba Pataxó, Hip-Hop indígena e jantar comunitário.
No sábado, dia 18 de julho, as atividades acontecem na Aldeia Mirapé e na Aldeia Coroa Vermelha. Pela manhã, haverá café comunitário e roda de conversa sobre a História do Samba Pataxó nas Aldeias, seguida da leitura e assinatura da carta pelo reconhecimento patrimonial. À tarde, as apresentações acontecem em Coroa Vermelha. À noite, a programação retorna para a Aldeia Mirapé.
No domingo, dia 19 de julho, a programação inclui café comunitário, futebol das aldeias, almoço, lanche, apresentações de Reisado e Samba Pataxó, cerimônia de encerramento, jantar comunitário e forró.
Comunicação indígena é também salvaguarda da memória
Para a Rádio Yandê, comunicar uma atividade como o 2º Encontro de Reisado e Samba Pataxó é mais do que divulgar uma agenda. É reconhecer que a comunicação também participa da proteção das memórias indígenas.
Quando a própria comunidade narra seus caminhos, sua história deixa de ser tratada como folclore, atração turística ou objeto de estudo externo. Ela passa a ser apresentada como vida, território, política, espiritualidade e conhecimento.
O 2º Encontro de Reisado e Samba Pataxó reafirma que cultura indígena não é passado distante. É presença viva. É memória em movimento. É território cantando. É o povo Pataxó contando sua própria história, com sua voz, seus mestres, suas lideranças, suas crianças e seus caminhos.
SERVIÇO
Evento: 2º Encontro de Reisado e Samba Pataxó
Data: 17 a 19 de julho de 2026
Entrada: Gratuita
Locais
Aldeia Mirapé
Rodovia BR-367, próximo à divisa com Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro — BA
Atividades centralizadas na Arena e na Casa de Matigoti e Carina Pataxó.
Aldeia Coroa Vermelha
Rua São Benedito, 15, Coroa Vermelha, Santa Cruz Cabrália — BA
Atividades em frente à Distribuidora do Matuto.
PROGRAMAÇÃO OFICIAL
17 de julho — Sexta-feira
Local: Aldeia Mirapé — Arena e Casa de Matigoti e Carina Pataxó
12h — Recepção e acomodação dos parentes
13h — Mãgutxi Pataxó | Almoço comunitário
16h30 — Abertura oficial com fala dos caciques e lideranças
17h — Apresentações de Reisado e Samba Pataxó
18h — Hip-Hop indígena | Apresentações e Batalha de Rap Pataxó
19h — Mãgutxi Pataxó | Jantar comunitário
18 de julho — Sábado
Locais: Aldeia Mirapé e Aldeia Coroa Vermelha
Manhã e tarde na Aldeia Mirapé
8h — Café da manhã comunitário
9h — Roda de conversa “História do Samba Pataxó nas Aldeias”, seguida da leitura e assinatura da Carta das Lideranças e da Comunidade Pataxó pela abertura do processo de registro do Reisado e do Samba Pataxó como patrimônio cultural de natureza imaterial da Bahia
12h — Mãgutxi Pataxó | Almoço comunitário
15h — Lanche comunitário
Fim da tarde na Aldeia Coroa Vermelha
16h — Apresentações de Reisado e Samba Pataxó em frente à Distribuidora do Matuto
Noite — Retorno à Aldeia Mirapé
21h — Mãgutxi Pataxó | Jantar comunitário
19 de julho — Domingo
Local: Aldeia Mirapé — Arena e Casa de Matigoti e Carina Pataxó
8h — Café da manhã comunitário
10h — Futebol das Aldeias
12h — Mãgutxi Pataxó | Almoço comunitário
16h — Lanche comunitário
18h — Apresentações de Reisado e Samba Pataxó
20h — Cerimônia de encerramento
21h — Mãgutxi Pataxó | Jantar comunitário
22h — Forró de encerramento
FICHA TÉCNICO-CULTURAL
Realização: Folia de Santo Reis Pataxó de Coroa Vermelha
Patrocínio: Prefeitura Municipal de Porto Seguro e Diretoria de Cultura de Santa Cruz Cabrália
Apoio: Universidade Federal do Sul da Bahia, Aoca Cultural, Redemoinho, CRAS Indígena de Porto Seguro, Secretaria de Assuntos Indígenas de Porto Seguro, Território Pataxó Aldeia Indígena Mirapé, Angá Capoeira, PLANOVIDA, Ginga Modas, Distribuidora Matuto, Matigoti Pataxó e Indiara Ferreira.
Aldeias participantes: Barra Velha, Boca da Mata, Águas Belas, Pé do Monte e Coroa Vermelha.
Reisados e Sambas participantes: Marujos Pataxó de Barra Velha, Tinderê Pataxó de Boca da Mata, Marujos de Santo Reis e São Sebastião de Águas Belas, Samba do Pé da Pedra de Pé do Monte e Folia de Santo Reis Pataxó de Coroa Vermelha.
CONTATO PARA IMPRENSA
Assessoria: Verônica Menezes
WhatsApp: 41 98855-3879
E-mail: reisado.sambapataxo@gmail.com
Instagram: @reisado_sambapataxo







