Dirigido por Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, curta acompanha uma mulher indígena urbana que passa a ouvir os sinais de uma floresta impaciente

Entre o barulho das máquinas, a rotina de uma grande cidade e os sonhos em que a floresta ganha voz, Suely começa a descobrir que sua existência está ligada a transformações capazes de alterar o futuro do mundo.
Essa é a travessia apresentada em “Floresta do Fim do Mundo”, curta-metragem dirigido pelo artista indígena Denilson Baniwa e pelo cineasta Felipe M. Bragança, disponível gratuitamente na plataforma Itaú Cultural Play.
Interpretada por Iracema Pankararu, Suely é uma mulher indígena que vive em um pequeno apartamento e trabalha em uma central de reciclagem. Seus dias são atravessados pelo peso das máquinas, por encontros e danças em um bar de subúrbio e por sonhos nos quais uma floresta impaciente tenta se comunicar com ela.
Pouco a pouco, esses mundos aparentemente separados: cidade, trabalho, memória, corpo e floresta, começam a se encontrar. Suely passa a acessar segredos sobre si mesma e sobre as mudanças que se aproximam para o planeta.
Um futuro pensado a partir de outras inteligências
Com 25 minutos de duração, o filme aproxima ficção científica, poéticas Baniwa, cinema experimental e artes visuais indígenas contemporâneas.
A criação nasceu de um sonho recorrente de Denilson Baniwa, no qual o artista despertava sem saber se era uma pessoa ou uma árvore. A experiência dialogava com elementos de narrativas Baniwa e levou os diretores a imaginar uma transformação vegetal silenciosa, na qual outras formas de inteligência, existência e relação com o mundo passam a ocupar o centro da história.
A obra integra a Trilogia das Plantas, projeto criado por Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança que imagina uma insurgência vegetal por meio do diálogo entre cosmologias indígenas, ficção especulativa, performance, instalação e linguagem audiovisual. “Floresta do Fim do Mundo” corresponde à segunda parte da trilogia.
Mais do que colocar uma personagem indígena dentro de uma estrutura tradicional de ficção científica, o filme desloca o próprio lugar de onde o futuro é imaginado. A floresta não aparece apenas como cenário, recurso natural ou imagem contemplativa: ela pensa, comunica, observa e reage.
Nesse sentido, a produção amplia as possibilidades do cinema indígena contemporâneo, recusando a expectativa de que as existências indígenas devam aparecer exclusivamente associadas à documentação, ao passado ou a imagens isoladas dos territórios urbanos.

Uma mulher indígena entre diferentes mundos
A escolha de Iracema Pankararu para interpretar Suely também marcou sua estreia como atriz no cinema. Parte das filmagens aconteceu na própria casa da protagonista e na chamada Aldeia Vertical, localizada no Condomínio Residencial Zé Kéti, antigo Complexo Penitenciário Frei Caneca, inaugurado em 1850 como Casa de Correção da Corte por Dom Pedro II, o presídio foi desativado em 2006 e a maior parte de sua estrutura foi implodida em 2010. no bairro do Estácio, região central do Rio de Janeiro.
O edifício reúne indígenas de diferentes povos e regiões do Brasil e se tornou um espaço de convivência, produção cultural, articulação política e acolhimento indígena no território urbano carioca.
O elenco conta ainda com Ítalo Martins e Ywyzar Tentehar.

Circulação nacional e internacional
“Floresta do Fim do Mundo” realizou sua estreia mundial no Forum Expanded da 76ª Berlinale, espaço do Festival Internacional de Cinema de Berlim dedicado a obras que atravessam cinema, instalações, performances e outras experiências artísticas.
No Brasil, o curta integrou a Mostra Competitiva Brasil do 16º Cine Esquema Novo – Arte Audiovisual Brasileira, festival que reúne obras relacionadas a memórias silenciadas, futuros incertos, transformações dos corpos e diferentes maneiras de habitar o mundo.
A obra também foi selecionada para a 30ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas do 33º Festival de Cinema de Vitória.
Serviço | Onde assistir
O filme está disponível gratuitamente na Itaú Cultural Play, plataforma dedicada ao audiovisual brasileiro. O serviço pode ser acessado por computador, celular, tablet e dispositivos compatíveis, mediante acesso à plataforma.
Assista a “Floresta do Fim do Mundo”:
acessar o filme na Itaú Cultural Play
Ficha técnica
Título: Floresta do Fim do Mundo | Forest at the End of the World
Direção: Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança
Elenco: Iracema Pankararu, Ítalo Martins e Ywyzar Tentehar
Origem: Rio de Janeiro, Brasil
Ano: 2026
Duração: 25 minutos
Linguagem: Experimental
Classificação indicativa: 14 anos
Conteúdos sensíveis: medo, violência e drogas lícitas








Uma resposta
A reflexão sobre a realidade indígena em contexto urbano é cada dia mais urgente a medida que a presença indígena na cidade é realidade cada vez mais indiscutível. Isso pra nós não é nenhuma novidade, nem siguinifica negar o território, visto que a cidade é também território.