Comunicação Indígena e a Soberania Epistêmica dos Povos Originários em 2025

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Em 2025, a Rádio Yandê não apenas registrou fatos, ela os transformou em atos de afirmação da soberania epistêmica indígena e em impulsos de memoriância coletiva. Cada matéria, cada narrativa, foi lançada como ponte entre mundos, abraçando territórios históricos e contemporâneos, contrapondo-se aos filtros coloniais da comunicação dominante. Esta retrospectiva percorre os doze meses do ano, revelando como nossas vozes ecoaram nas lutas políticas, nas celebrações culturais, nas disputas epistemológicas e nas narrativas de resistência dos povos originários.
Não estamos apenas comunicando acontecimentos. Estamos exercendo o direito histórico de narrar o mundo a partir de nossos próprios territórios, corpos e pensamentos. Cada matéria publicada é também um gesto de retomada simbólica e política.
Janeiro de 2025 — Música, tecnologia e soberania narrativa
O ano começou com três movimentos editoriais decisivos. Em 23 de janeiro, a música indígena contemporânea ganhou centralidade com “Arandu Arakuaa lança novo single e videoclipe ‘Sekwa’, uma ode à resistência indígena”, reafirmando o heavy metal indígena como linguagem política, estética e territorial.
Poucos dias depois, em 29 de janeiro, a Rádio Yandê deslocou o debate tecnológico com “IA Proprietária vs. IA Livre: o impacto para os povos indígenas na visão da Etnomídia Indígena”, afirmando que inteligência artificial, dados e algoritmos também são territórios em disputa e que não há inovação sem soberania indígena.
O mês se encerrou em 30 de janeiro com “A Música Como Patrimônio Indígena: San Sebastián Tutla Celebra Sua Identidade”, consolidando a música como arquivo vivo, tecnologia ancestral e estratégia de resistência cultural frente à homogeneização global.
Fevereiro de 2025 — Línguas, identidade e internacionalização das lutas
Em 1º de fevereiro, a Rádio Yandê publicou “Entre a proibição e a valorização: a história das línguas indígenas no Brasil”, um texto que percorre os ciclos de apagamento e retomada linguística, reafirmando língua como direito, território e epistemia.
No campo musical, 6 de fevereiro trouxe “Minhas Raízes: o rap indígena de Carlos CGH que ecoa a cultura Triqui”, conectando juventude, identidade e comunicação periférica indígena.
O mês se expandiu para além das fronteiras nacionais em 19 de fevereiro, com “Indígenas mexicanas criam ONG nos EUA para direitos linguísticos”, evidenciando que a luta pelas línguas originárias é transnacional e atravessa diásporas indígenas contemporâneas.
Março de 2025 — Mulheres, música e memória política
Em 8 de março, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por “Dia Internacional das Mulheres 2025: celebrando a força das mulheres indígenas”, reposicionando a data como espaço de visibilidade política e não de celebração vazia.
No dia 12 de março, o Ỹbỹ Festival — “Toca Música Indígena, Toca de Novo!” reafirmou a música indígena como circuito vivo de circulação cultural e atualização de memórias sonoras.
O mês se encerrou com “1º de Abril: um chamado à reflexão sobre a abolição da escravidão indígena” (30/03), deslocando o calendário oficial para o campo da crítica histórica e da denúncia do apagamento estrutural.
Abril de 2025 — História, audiovisual e organização política indígena
Abril foi atravessado pela memória política recente.
Em 1º de abril, “A Ditadura e os Povos Indígenas: o grito vivo da terra (1964–2025)” reconectou violência de Estado, desenvolvimento forçado e genocídio indígena.
No dia 12 de abril, a Rádio Yandê destacou “Futuro da Terra: série indígena estreia na IC Play”, afirmando o audiovisual indígena como ferramenta de educomunicação e imaginação política.
Já em 17 de abril, “1ª Assembleia de Tuxauas: 51 anos de histórias de luta” reafirmou a organização política indígena como estrutura contínua de resistência e articulação intergeracional.
Maio de 2025 — Educação, arqueologia e línguas vivas
Em 10 de maio, “Museu ‘Índia’ Vanuíre: Guardião da Memória Indígena” reafirmou museus como territórios de disputa narrativa.
No dia 12, duas publicações fundamentais:
“Santarém: a civilização amazônica que reescreve a história”, desmontando mitos coloniais sobre a Amazônia, e
“Eu lamento muito que nossos livros didáticos não estão escritos ao menos em Nheengatu”, publicado em parceria com o OBIND, uma denúncia direta à colonialidade educacional.
Junho de 2025 — Estado, vigilância e criminalização
Em 4 de junho, “Governo regulamenta poder de polícia da Funai” expôs as tensões entre proteção territorial e controle estatal.
Já em 21 de junho, “ABIN Paralela: espionagem criminal contra os povos indígenas” revelou práticas contemporâneas de vigilância e criminalização das lideranças indígenas.
Julho de 2025 — Direitos humanos e invisibilidade institucional
O mês trouxe duas denúncias centrais:
em 22 de julho, “Indígenas dizem NÃO: Trump quer impor nome ligado ao genocídio…”, conectando esporte, política e memória colonial;
e em 24 de julho, “Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025: Invisíveis para o Estado”, denunciando a exclusão indígena dos dados oficiais de segurança pública.
Agosto de 2025 — Colonização digital, ciência e música
Agosto consolidou uma das linhas editoriais mais fortes do ano.
Em 4 de agosto, “Tecnologia sem Protocolo é Colonização Digital: o caso do ‘Duolingo indígena’” tornou-se marco do debate sobre soberania tecnológica indígena.
Em 5 de agosto, pelo OBIND, “A voz feminina na história da Comunicação Indígena no Brasil” reforçou o protagonismo feminino indígena na construção da etnomídia.
No dia 18, “Sete álbuns, sete povos” celebrou a potência musical indígena contemporânea, e em 27 de agosto, “Do objeto ao sujeito: caminhos para uma pesquisa indígena equitativa” reposicionou a ciência a partir de epistemias indígenas.
Ao longo de 2025, um eixo transversal tornou-se evidente: dados, tecnologias, línguas, música, ciência e memória não são temas isolados, mas territórios estratégicos de disputa. A Rádio Yandê revelou, mês a mês, que soberania epistêmica não é conceito abstrato, é prática cotidiana de comunicação indígena, conduzida por mulheres, juventudes, artistas e pensadores originários.
Setembro de 2025 — Mulheres indígenas em centralidade política
Em 5 de setembro, a Rádio Yandê reafirmou “A voz feminina no Dia Internacional da Mulher Indígena”, consolidando mulheres indígenas como eixo estruturante da comunicação política indígena.
Outubro de 2025 — Dados, territórios e representação
Outubro foi decisivo.
Em 1º de outubro, Teófilo Otoni reconhece a língua Maxakali como idioma oficial, um marco jurídico-linguístico.
Em 3 de outubro, “Terra à vi$ta” explicitou os mecanismos de destruição e proteção dos territórios.
Nos dias 23 e 24, IBGE divulga dados inéditos e Censo 2022 revelaram o Brasil como mosaico de 391 etnias e 295 línguas, conectando dados a luta política.
Novembro de 2025 — Filosofia, política e cultura viva
Em 7 de novembro, “Conhecimentos Indígenas são Tecnologias Vivas” afirmou epistemias como inovação.
Em 14, “A Ministra Sônia Guajajara, os ‘Avulsos’ e o Colapso da Unidade Indígena” tensionou a institucionalização da pauta indígena.
Em 22, “Indígenofagia” apresentou a filosofia indígena como tecnologia de mundo, e em 26, “Cultura Tupinambá influencia projeto internacional” revelou a potência indígena na arquitetura global.
Dezembro de 2025 — Academia, dados e futuro
Em 11 de dezembro, “Relatório TIC Domicílios 2024” trouxe dados inéditos sobre acesso indígena ao digital. Em especial no mes de dezembro inicia-se a parceria com a revista e plataforma Pluriverso, com o artigo da Revista Pluriverso mergulha no tema “Conectividade Indígena: Um Paradoxo Digital”. Mais do que uma análise técnica, é um diálogo profundo sobre como a tecnologia pode ser ferramenta de resistência ou de silenciamento.
No dia 12, “Primeira banca 100% indígena do Brasil” marcou um novo protocolo acadêmico e epistemológico.
Memória Ativa e Chamado à Ação
Este texto existe para os povos indígenas, para as gerações que virão, para pesquisadoras, comunicadores, educadores e aliados que compreendem a comunicação como território político. Ele integra o acervo vivo da Rádio Yandê e afirma um compromisso institucional: nossas narrativas não são episódicas, são estrutura, memória ativa e legado histórico.
2025 não foi apenas um ano de notícias, foi um campo de disputa por narrativas, epistemias, terras, línguas e visibilidades. A Rádio Yandê consolidou-se como espaço de circulação dessas memórias-vivas, nutrindo a Soberania Epistêmica indígena frente às cosmovisões hegemônicas. Em cada data, em cada matéria, nós reafirmamos que nossos territórios são epistemias vivas e que a comunicação indígena é uma prática de reconstrução histórica e política.
Este retrato editorial nos convoca, mais uma vez, à resistência contínua: seguir descolonizando saberes, narrativas, linguagens e sujeitos, não como tarefa auxiliar da história, mas como protagonistas de nossos próprios tempos.
“Quando contamos nossa própria história, não estamos olhando para trás, estamos escolhendo como o futuro vai nos reconhecer.”
Em 2026, a Rádio Yandê segue ampliando territórios de escuta, soberania comunicacional e imaginação indígena no Brasil e no mundo.
“Comunicar, para nós, nunca foi informar o mundo, sempre foi disputar quem tem o direito de explicá-lo.”
Anápuàka M. Tupinambá Hãhãhãe | >.:.< | @anapuakatupinamba
Etnomídia Indígena | Rádio Yandê
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