Território UruçuMirim: Um Marco Cultural Carioca no Coração do Rio de Janeiro

“Onde o passado encontra o futuro. Território UruçuMirim’, um símbolo do Rio que preserva história em meio à modernidade urbana

Com apoio transpartidário, essa iniciativa marca um passo significativo para um Rio mais inclusivo e culturalmente diversificado

Território UruçuMirim: Um Marco Cultural Carioca no Coração do Rio de Janeiro

No cenário urbano da cidade do Rio de Janeiro, uma nova iniciativa legislativa deve redefinir a relação entre o espaço, a cultura e a história do município. A recente emenda ao Projeto de Lei Complementar Nº 44/2021, proposta pela Vereadora Tainá de Paula (PT) e Secretária de Meio Ambiente e Clima do Município do Rio de Janeiro, destaca a importância de reconhecer espaços urbanos como áreas de especial interesse sociocultural. Entre esses importantes locais, se destaca o “Território UruçuMirim”, uma área que promete ser um marco cultural na cidade carioca.

O Significado e Identificação do ‘Território UruçuMirim:

O “Território UruçuMirim”, localizado no perímetro da Praça Luiz de Camões, na Glória, é mais do que um espaço físico. Ele representa o reconhecimento à rica história e diversidade cultural do Rio de Janeiro. Embora os detalhes específicos sobre o nome e sua origem não sejam explicitados na emenda, a designação sugere uma conexão profunda com a identidade cultural indígena local.

A Batalha de UruçuMirim foi um combate que ocorreu há 459 anos, no dia 20 de janeiro de 1567. O confronto aconteceu no aldeamento Tupinambá de UruçuMirim, que hoje é o Morro da Glória, onde foi construída a igreja do Outeiro da Glória no local da aldeia massacrada. 

A batalha envolveu cerca de 1 mil 200 combatentes indígenas e não indígenas. As forças temiminó-portuguesas somavam mais de 420 combatentes. 

O massacre dos Tupinambá Kariokas

Os combatentes foram os portugueses e  Temiminó contra os franceses e os  Tupinambá. A batalha resultou na expulsão dos franceses e  no nascimento da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. A França Antártica chegou ao fim. A batalha também dizimou os Tupinambá e a Confederação dos Tamoios do Rio. Os Tupinambá, aliados aos franceses, ocupavam a faixa de litoral na extensão de Cabo Frio (RJ) a Ubatuba (SP). O foco era a expulsão dos portugueses de toda a região.  Na época, o líder da Confederação dos Tamoios, Aimberê Tupinambá, morreu na batalha. A cabeça dele e de outros líderes indígenas foram cortadas e exibidas em estacas, na paliçada de UruçuMirim.

Você sabia que dia 20 de janeiro é o Dia dos Tupinambá no Rio de Janeiro?

No dia 20 de janeiro, celebraremos a data oficial do Dia da Memória e Cultura Tupinambá. Uma data incluída no Calendário Oficial da Cidade e sancionada pela LEI Nº 7.735, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2022 consolidado pela Lei nº 5.146/2010, que tem como objetivo dignificar, salvaguardar e resguardar a história e a cultura do povo indígena que habitava o território onde hoje se encontra a cidade do Rio de Janeiro.

Vale lembrar, sempre, a importância de preservar e valorizar a história e cultura dos povos indígenas que habitavam a cidade antes da invasão dos portugueses e da criação da Cidade Maravilhosa. A Proposta de Lei foi de autoria do atual Deputado Federal Tarcísio Motta (PSOL), mas desenvolvida no seu mandato anterior como vereador na Câmara Municipal do Rio de Janeiro – Palácio Pedro Ernesto e sancionada pelo prefeito Eduardo Paes . 

Assim, também vamos celebrar o cidadão indígena que vive atualmente na cidade! É a histórica presença indígena Tupinambá que dá o gentílico dos nascidos no Rio de Janeiro: “CARIOCA”. Os Tupinambá e os Tupiniquim foram os primeiros povos indígenas que tiveram contato na invasão portuguesa representada por Pedro Álvares Cabral, quando chegou perdido a Pindorama em 1500 (atual Brasil). No século XVI, estima-se que a população Tupinambá era de cerca de 100 mil indígenas. Eles viviam em malocas, caçavam, pescavam, coletavam e praticavam a agricultura. Atualmente, os Tupinambá sobrevivem em reservas, terras retomadas e não demarcadas pelo estado baiano, na área litorânea e cacaueira de Buerarema, Ilhéus a Una (BA), sendo dez comunidades Tupinambá, e a aldeia de Olivença, nominada como (Aldeia Mãe), há um grupo familiar Tupinambá presente e ocupando o Território de Indígena Catarina Paraguaçu no município de Pau Brasil, BA desde 1982. 

No estado do Pará, há o Conselho Indígena Tupinambá (Citupi) que representa mais de vinte aldeias do Baixo Tapajós. Como informação e curiosidade, a etnogênese (a origem) dos Tupinambá é na região amazônica do Pará e após se espalharam por todo o Norte e Litoral brasileiro dando origem a outros povos e culturas e línguas tupínicas.

Impacto na Política Urbana e Ambiental:

A inclusão do ‘Território UruçuMirim” como uma Área de Especial Interesse Sociocultural (AEISC) reflete uma mudança significativa na política urbana. Isso indica um movimento em direção a um planejamento citadino que valoriza e preserva a diversidade cultural indigena e histórica, alinhando-se com os objetivos de igualdade racial e desenvolvimento integral de comunidades tradicionais e originárias.

Reações e Apoio:

A emenda recebeu apoio significativo de diversos vereadores, refletindo um consenso na importância de integrar considerações culturais no planejamento urbano. Este apoio transpartidário é um sinal encorajador de que a preservação cultural é uma prioridade compartilhada na política municipal.

Desafios Futuros:

A implementação efetiva da designação do ‘Território UruçuMirim” como AEISC, nos compromete a garantir que o desenvolvimento urbano respeite o valor cultural da área e que as políticas implementadas sejam sensíveis às necessidades da comunidade local.

A designação do “Território UruçuMirim” como uma área de especial interesse sociocultural é um passo significativo para a Capital e o estado do Rio de Janeiro. Significa o  esforço para preservação da identidade cultural e histórica em meio ao desenvolvimento urbano. É um movimento que, não apenas enriquece a história, a memória, a cultura, o turismo, o patrimônio material e imaterial urbano da cidade carioca, como também é exemplo para outras cidades brasileiras sobre como integrar cultura, turismo, história e planejamento urbano de maneira significativa e respeitosa.

Convidamos os leitores e ouvintes a acompanhar o desenvolvimento dessa iniciativa e a participar ativamente nas discussões sobre o planejamento urbano em suas próprias comunidades. A preservação da cultura e da história indígena é uma responsabilidade coletiva que enriquece nossa sociedade como um todo.

Pelo fim da manutenção do Holocausto Indígena no Brasil desde 1500, UruçuMirim Vive!

Seja um bom ancestral hoje – Anápuàka Tupinambá Hãhãhãe | @anapuakatupinamba

3 respostas

  1. FINALMENTE!
    Parabéns Parente Anapuaka Tupinamba e a tds os envolvidos nesta Retomada do Território UruçuMirim e da História Tupinambá!
    Vamos todos em busca da nossa história, e da memória de nossos ancestrais. XUTEH! JANDAIA GOITACÁ.

  2. Com certeza que este holocausto indigena precisa ter um fim, basta!
    Viva UruçuMirim, que esta historia se espalhe pelis 4 ventos e que seja contada para todos!
    Triste em ler mais uma historia de violencia e exterminio.
    Feliz de descobrir esta pagina maravilhosa de vocês.
    Obrigada

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