Reflorestar mentes e corações para a cura da Terra

Plenária internacional de lideranças indígenas de países como Peru, Equador, México, Guatemala, Nova Zelândia, Finlândia e Estados Unidos, durante a III Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília. Foto: Raquel Carneiro.

Foi com o propósito de reflorestar mentes e espíritos que a III Marcha de Mulheres Indígenas iniciou o segundo dia de trabalhos, nesta terça-feira, 12 de setembro, no Complexo Cultural Funarte, em Brasília. E como cultivar novas ideias, se a gente não irrigar outros saberes? A manhã foi da plenária Mulheres Água, com representantes indígenas de países, como México, Peru, Equador, Nova Zelândia, África. Idiomas, costumes, tradições tão diferentes para realidades tão semelhantes: elas pedem a garantia e proteção de seus direitos e de suas crianças à saúde, educação, meio ambiente e território, respeitando suas culturas. Para Cristina Coc, liderança do povo Maia Q’eqchi do Sul de Belize e coordenadora da delegação internacional, as mulheres indígenas estão “na linha de frente para defender nossos territórios, nossos recursos naturais face ao consumo e exploração incessantes. Se não protegermos, quem vai fazer? Quem vai falar por nossa mãe Terra? E estamos chegando com força, solidariedade das mulheres indígenas da América Latina e do mundo”, afirma.

À tarde, o calor de 31 graus não desanimou a venda de artesanatos de etnias de diversas partes do Brasil. Aos objetos de arte, feitos à mão por conhecimentos muito antigos, se misturavam pequenos grupos de jovens com seus instrumentos e cantos. Próxima a uma barraca, sentada ao chão, eu vi Txahá do povo Pataxó. Vinda Minas Gerais, ela usava um cocar de penas multicolor impossível não notar de longe. As mãos, enegrecidas de tinta, escreviam palavras na bandeira do Brasil. Nesta quarta-feira, vai carregar os dizeres, durante a caminhada da Marcha até a Praça das Bandeiras. “Pintei nessa bandeira aquilo que eu preciso dizer, que sou contra o Marco Temporal e a sociedade também precisa ser porque significa morte para todo mundo, significa genocídio. E isso, não é uma defesa para os povos indígenas, mas sim para o sistema vida”.

Enquanto alguns preparavam cartazes e faixas, como Txahá, outros compartilhavam em grupos de trabalho e ouvidorias do Ministério dos Povos Indígenas e Fundação Nacional dos Povos Indígenas, problemáticas vivenciadas em suas comunidades, em temas como justiça climática, estratégias e práticas sustentáveis. À noite, o canto do povo Mbyá Guarani abriu a noite de celebração com o desfile das “Originárias da Terra”. Estilistas indígenas mostrando que a força ancestral de suas tradições também ocupa a moda.

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