O dinheiro e o Povos Indígenas

05 MAI 2021
05 de Maio de 2021

 Etno negócios Indígenas com Mani Bank

 UM ASSUNTO NECESSÁRIO NA VIDA INDÍGENA CONTEMPORÂNEA

Por Isabel Taukane

Nas questões indígenas constato que falar sobre dinheiro e povos indígenas é algo, incompatível, que não pode ser abordado é silenciado. Quando é tratado é mal recebido no meio indigenista, que é polifônico, se é tachado de capitalista. Entretanto, a meu ver, por não se abordar a temática é que gera inúmeros problemas para indígenas, tais como dúvidas, sobretudo dívidas e má aplicação do dinheiro.


O sistema é capitalista e dentro desse sistema existem diversas economias, tais como, economia solidária, economia colaborativa e outros. Como diz, uma professora universitária, declaro-me anticapitalista e luto contra as grandes economias, porém, até para você ser anticapitalista, você precisa do dinheiro, pois estamos nesse sistema.


Tenho pensando sobre o dinheiro e povos indígenas e considero uma discussão necessária nesses tempos, será que temos que viver de vaquinhas on-line? Será que temos que ser eternos pedintes, dependentes da boa vontade alheia? Para quê, a final, serve o dinheiro? Será que cabe na atualidade das aldeias dizer, que o indígena não precisa de dinheiro? Na verdade, são muitas interrogações que tenho a respeito do assunto. Como, por exemplo: 1) Existem Economias internas nas aldeias? 2) Como as comunidades se organizam para ter acesso ao dinheiro? 3) Quem tem renda e quem não tem? Quem lucra com a questão indígena? 4) Quais os sistemas de crenças de que os povos indígenas não devem ou deve ter dinheiro? 5) Porque o dinheiro para os povos indígenas são tabu? 6) Como se gasta o dinheiro nos territórios indígenas?


Considerando que é verdade que o dinheiro não fazia parte da vida indígena, aliás, ainda hoje, existem etnias que vivem perfeitamente sem essa invenção do mundo não indígena. No entanto, mesmo essas sociedades conhecem a relação de troca. Lembramos que o princípio que rege o mercado é a relação de troca, seja de produtos ou serviço.


Existem múltiplas realidades indígenas e não dá para eleger somente um modelo de como o indígena deve viver, além disso os indígenas que vivem a realidade sem dinheiro e o não conhecem (dinheiro) é uma pequena parte, pois a outra grande parte já entrou em contato com alguma cédula em algum momento da existência.


Acredito que dentro dos nossos territórios deva existir alternativas de geração de renda baseados em uma economia menos impactante, uma economia que não envenene o solo, as águas, os alimentos, uma economia que não destrua os valores ancestrais. A vida nas aldeias que conheço difere da vida dos antepassados, e a falta de geração de renda tem levado algumas lideranças a se aliarem com aqueles que querem diminuir os Direitos Indígenas.


No ano de 2020, foi abordado pela Rádio Yandê — rádio ‘web’ indígena — na sua programação de abril, vários assuntos do contexto indígena contemporâneo dentre os quais red-money. O tema foi ar, no dia 16.04.2020, se falou a respeito da Economia Indígena com apresentação de indígenas de diferentes partes do Brasil. Dentre esses Anapuáka Tupinambá conceituou o red money ou redskins money “dinheiro que vem dos (peles) vermelhas”, “dinheiro que vem dos povos indígenas”, “dinheiro que vem dos povos originários”. Explicava, que entre os povos indígenas de outros países, tais como norte-americanos, canadenses e outros, lidam com a questão mercadológica com essas denominações. Anápuàka Tupinambá dizia que no Brasil, existe a comercialização de produtos, no entanto, nunca ouve estatísticas de quanto os povos indígenas movimentam recursos financeiros.


E não se sabe qual a contribuição indígena para a economia brasileira, acredita que o assunto é negligenciado para assunto de segunda categoria. Foram vários assuntos abordados, acerca do mundo mercadológico indígena. Assim sendo, podemos constatar que existe uma economia indígena e o dinheiro circula nas aldeias, e podemos dizer que quem afirmar que o indígena da atualidade não precisa de dinheiro não vive a realidade das aldeias contemporâneas ou é hipócrita.


Fonte: https://iakadu.com.br

Voltar

© 2013 - 2021 YANDÊ - A rádio de todos. A 1ª EtnoMídia Indigena do Brasil - Todos os direitos reservados.