Brasil cai pelo segundo ano seguido, num contexto de deterioração das condições para o livre exercício do jornalismo, acelerada pela pandemia da Covid-19 

22 ABR 2020
22 de Abril de 2020

RANKING MUNDIAL DA LIBERDADE DE IMPRENSA 2020:

Com queda de duas posições, Brasil ocupa agora o 107º lugar, entre 180 países, no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa elaborado pela Repórteres sem Fronteiras (RSF). O ambiente cada vez mais hostil ao jornalismo, em larga medida alimentado por autoridades públicas, aprofunda o cenário de deterioração na América Latina como um todo.


Divulgado nesta terça-feira, 21 de abril, o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa revelou uma piora do ambiente de trabalho para jornalistas no Brasil? . O país ficou na 107? a ? ?colocação ao cair 2 posições, tendência semelhante ao ano anterior, em que já havia descido 3 degraus. A queda está, em grande medida, ligada à hostilidade na relação do governo com a imprensa. Meios de comunicação e jornalistas, sobretudo mulheres, são alvos constantes de ataques do presidente e de seus aliados, em particular nas redes sociais.


Pressão, intimidação e violência se revelaram parte da realidade de profissionais de comunicação da

América Latina como um todo. No México? , listado na 143? ?a? posição, o governo do presidente López Obrador demonstrou, até o momento, incapacidade de conter a espiral de violência e impunidade. Ao menos 10 jornalistas foram assassinados no país em 2019.



Na região, as únicas duas exceções notáveis ao cenário de deterioração generalizado foram aa ? Costaa Rica?, que conquistou três lugares e ocupa agora a 7? ? posição, e o ?Uruguai?, que manteve sua 19? colocação.


O Ranking apontou 2020 como o início de uma década decisiva para o futuro do jornalismo. A pandemia de Covid-19 escancarou crises que ameaçam o direito a informações livres, independentes, plurais e confiáveis. Enquanto jornalistas de todo o globo lutam para que a população esteja bem-informada durante a crise sanitária, os monitoramentos realizados pela RSF refletem um contexto de políticas repressivas por parte de governos autoritários, de falta de garantias democráticas, de polarização, de suspeita e ódio direcionados aos meios de comunicação, além de precarização da atividade jornalística em termos econômicos.


Publicado anualmente desde 2002 pela Repórteres sem Fronteiras (RSF), o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa avalia a situação para o exercício do jornalismo em 180 países, com relação ao seu desempenho em matéria de pluralismo, independência das mídias, ambiente e autocensura, arcabouço legal, transparência, qualidade da infraestrutura de suporte à produção da informação e violência contra a imprensa. Na edição de 2020, a ?Noruega ?manteve seu primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo e a ?Coreia do Norte ?assumiu o último lugar, antes ocupado pelo ?Turcomenistão?.


Sobre a Repórteres sem Fronteiras (RSF):


Uma das maiores organizações do mundo dedicada à defesa da liberdade de imprensa, criada em 1985, com sede na França e atuação internacional. Graças a sua rede de 150 correspondentes locais em 130 países, 11 escritórios regionais e seu status consultivo junto às Nações Unidas e a UNESCO, a RSF monitora e denuncia violações à liberdade de imprensa, defende e auxilia profissionais de mídia ao redor do mundo.

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