Oficina de "Tupi-Guarani" em Rio Grande do Norte 

30 OUT 2014
30 de Outubro de 2014
A oficina de letramento em "Tupi-Guarani" (termo que abrange línguas do tronco Tupi) surge com a necessidade de fortalecimento cultural, uma vez que apenas léxicos restaram-nos pós proibição Pombalina no regime imperial brasileiro (1759).  

Com exceção dos índios Fulni-ô de Pernambuco que mantém o Iatê, seu idioma materna até os dias atuais, a maioria das comunidades indígenas do Nordeste foram avassaladas pela ditadura cultural européia que chegou a proibir-nos de ñomoguetá ñane ñe'eguéra [conversar em nossas línguas], de morar coletivamente e andar nu, por exemplo, com a imposição de uma guerra simbólica onde os elementos culturais das culturas autóctones deveriam a qualquer custo embranquecerem-se à euro-moda. 

Há uma rede indigenistas de estudantes e pesquisadores  que somam forças ao movimento indígena no Rio Grande do Norte - e Nordeste - desde 1990, provocando discussões, promovendo eventos e articulando grupos de estudos sobre culturas e questões indígenas, onde a formação de formadores é objetivo central para multiplicação das vozes atuantes em movimentos sociais. 

Essa rede indigenista do RN conta com a força do professor de artes Aucides Sales, tupinólogo e pesquisador da Fundação José Augusto. Em 2005 o mbo'ehára [professor] solicitado por um grupo de pessoas instigou a criação de outro grupo de estudos de culturas indígenas(estudos linguísticos das línguas e Tupi e Macro-Jê). De início, músicos, musicistas e estudantes passaram a se reunir no Sebo Cata Livros - na época situado no Beco da Lama, centro boêmio da capital do RN. 

O mbo'ehára Aderildo que também foi um dos professores nos primeiros anos da Okarusú Pitã, somando com Aucides Sales e Paulinho Itacarém os estudos nos grupos recém pipocados, e participando em palestras e seminários. Estudante do Tupi a mais de 15 anos, morador do Igapó, bairro onde Aucides articulou o primeiro centro de pesquisas indigenistas, o Centro de Estudos Indígenas do Igapó, Aderildo foi solicitado para lecionar na Escola pelos Potiguara do Catu, em Canguaretama/ Goianinha-RN, e a mais de 5 anos por lá ele leciona. A Escola João Lino da Silva no Catu é a primeira escola indígena do Estado, organizada de forma autônoma os Potiguaras do Catu decidiram reconfigurar seu sistema educacional, uma vez que as instituições responsáveis não tomavam medidas para criação de uma educação escolar diferenciada que acolhesse plenamente as culturas indígenas no seio escolar.

O grupo Okarusú-Pitã é de onde eu venho, gerado em 2005, articulado com o indigenista Aucides Sales, fortalecemos parcerias e diálogos com as comunidades indígenas, instituições educacionais e com a sociedade majoritária, participando dos eventos, seminários, festas e rituais relacionados aos universos indígenas e debatendo, construindo estratégias para o avanço e melhora do mundo. Por um mundo onde caibam vários mundos. Buscamos agregar força na nossa matriz Tupi, utilizando do idioma para mergulhar nos universos culturais. 

Ao lado do Piauí, o RN foi uma das ultimas unidades federativas do Brasil a reconhecer oficialmente suas populações indígenas.
Conseguimos o reconhecimento identitário aqui no RN, após mais de um século de silenciamento pela historiografia oficial e uni vocal escrita pelas elites dominantes. Como exemplo dessa elite podemos citar Luís da Câmara (CASCUDO, 1955) que alega um misterioso sumiço dos indígenas norte-rio-grandense, considerando a mistura cultural como fator de perda identitária. Com a rearticulação crescentes dos povos indígenas que desde 1988, após constituinte, vem ocupando espaços políticos importantes, buscando intensificar o diálogo em busca de melhorias sociais e aplicação devida das políticas públicas as culturas indígenas passam a revigorar-se, frutificando em movimentos de reelaborações culturais onde o "velho" e o "novo" se mesclam redesenhando-se. 

Em 2005 três comunidades indígenas numa Audiência Pública na Assembléia Legislativa do RN obtiveram o reconhecimento oficial pelo Estado, foram elas: Potiguara Mendonça do Amarelão (localizado no município de João Câmara), Potiguara Eleotério do Catu (em Canguaretama e Goianinha) e os Caboclos do Açú (em Açú). Posteriormente três outros grupos étnicos passaram a integrar o movimento indígena do RN: Potiguara de Sagi-Trabanda (em Baía Formosa), Tapuia de Tapará (em Macaíba) e Tapuia Paiaku (em Apodi). 


Eis o link do blog do Potiguara João Paulo, Mendonça do Amarelão (comunidade localizada a 98 km de Natal-RN, agreste do Estado). João Paulo é fotográfico e jornalista mirim, além de exímio clarinetista, integrante da Banda da comunidade.
http://amarelaoemfoco.blogspot.com.br/2014/10/1-oficina-de-letramento-em-tupi-guarani.html?spref=fb

Mais informações



Endereço informativo das atividades do grupo de estudos do Igapó: http://gefelipecamarao.blogspot.com.br/

Toré na III Assembleia Indígena do RN: http://www.youtube.com/watch?v=dAvPx2lT300

"QUEM NÃO PODE COM A FORMIGA NÃO ASSANHA O FORMIGUEIRO"

Enviado por: Akanguasú Diego

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