Não Esqueça sua Luta!

23 OUT 2015
23 de Outubro de 2015
Os jogos mundiais indígenas estão acontecendo este mês no Brasil na cidade de Palmas – Tocantins. O evento promovido pelas Nações Unidas e o Governo Brasileiro, reúne representantes de povos indígenas vindos de diversos países e tem como foco a celebração das identidades indígenas através do esporte e da cultura; Os povos indígenas sofreram semelhante perseguição e genocídio ao redor do mundo e atualmente enfrentam dilemas semelhantes com relação à afirmação de suas identidades, à preservação de sua cultura e ao desafio de resistir num mundo pós-colonial e globalizado.

Conhecer a cultura de um povo implica em aprender um pouco sobre sua história e seus desafios, então convido a fazer um breve panorama das lutas indígenas de alguns países participantes no evento, pois acredito que como indígenas somos todos parentes e ainda que em terras distantes nossa luta é uma só.

Dos 22 países confirmados no evento 16 são de nosso continente, dos quais a equipe Yandê selecionou 5 países do sul ao norte além de outros 5 dos demais continentes. Que apresentaremos nos próximos dias.

Argentina

O censo do país em 2005 reconhece 30 povos indígenas no país hermano (955.032 pessoas, equivalente a 2,32% da população) onde outros 63 povos foram extintos desde a chegada de Juan Díaz de Solis em 1516. Entre os povos atuais conta-se com uma significante população Guarani-Mbya, Tupí-Guaraní e Avá-Guaraní, irmãs dos povos guaranís brasileiros, por outro lado os Kaingang que hoje resistem no Brasil lá consideram-se extintos. Em 1826 a recém-criada república de Argentina começou um processo de conquista dos territórios ocupados pelos povos indígenas: esse genocídio culminou na chamada “Conquista do Deserto” na qual foram derrotados os grandes povos Mapuche e Ranquel, desde então os povos indígenas argentinos sofreram um duro processo de invisibilização e genocídio promovido pelo estado.

Nos anos 60 se fortaleceu o movimento indigenista em todo o continente, foi o momento do nascimento dos movimentos indígenas nacionais, e na argentina em 1972 aconteceu o “Primeiro Parlamento Indígena Nacional” que teve como pauta principal a demarcação das terras indígenas e a ampliação dos territórios já demarcados assim como programas de crédito financeiro.O “Serviço Nacional de Assuntos Indígenas” era controlado pelo lado mais reacionário do governo de Perón, nos anos seguintes a ditadura militar foi marcada pela perseguição às lideranças indígenas.

Durante as últimas décadas o movimento indígena tem se fortalecido na argentina, destacamos como importante ato simbólico em julho de 2015 a retirada da estátua de Cristóvão Colombo localizada próxima à famosa Casa Rosada pela de Juana Azurduy, mulher indígena de origem boliviana generala heroína da independência da América do sul contra a coroa espanhola. Ato semelhante aconteceu no último dia 12 de outubro em Venezuela em que a data foi instituída como “Dia da Resistência Indígena” em vez do “Descobrimento da América”: a estátua em homenagem ao cacique Guaicaipuro, líder da resistência indígena contra a invasão espanhola, substituiu igualmente a antiga estátua de Cristóvão colombo no centro da capital Caracas.

A cultura e a história dos povos indígenas é fortemente marcada por nossa luta pela sobrevivência, a firmação de nossas identidades passa pelo direito à memoria e ao reconhecimento de nossos direitos políticos no constante combate ao preconceito invisibilização e pelo reconhecimento de nossos territórios.

Você sabe quais são as lutas atuais dos povos indígenas da argentina? somos todos parentes, conhecer a história de nossos irmãos pode iluminar nosso próprio caminho.

Daiara Tukano
Correspondente Yandê

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