Líderes indígenas denunciam álcool e drogas nas duas maiores aldeias de Dourados e pedem segurança

30 JUL 2015
30 de Julho de 2015
Líderes indígenas demonstram preocupação com o índice de criminalidade entre os jovens e apontam o consumo de drogas e álcool como as principais causas de crimes

Indígenas da região de Dourados, a 214 km de Campo Grande, estão preocupados com a violência nas duas maiores aldeias Mato Grosso do Sul. Líderes indígenas demonstram preocupação com o índice de criminalidade entre os jovens e apontam o consumo de drogas e álcool como as principais causas de crimes.

"A droga e a bebida alcoólica estão demais dentro das aldeias, estão avançando em nós, na nossa juventude. E a maioria [dos usuários] é de menor, de 10 a 15 anos, que praticam muito essas drogas", relatou Ancieto Velasques, vice-líder do Conselho Indígena.

Juntas, as duas aldeias têm quase 13 mil indígenas. Em pouco mais de 20 dias, nove ocorrências de crime foram registradas, entre elas um homicídio. As reservas indígenas de Jaguapiru e Bororó estão sem a segurança da Força Nacional desde o começo de julho, quando o governo do estado solicitou a atuação da Força Nacional em conflitos fundiários na região de Aral Moreira.

A produção da TV Morena entrou em contato com o Ministério da Justiça e com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul para ter posicionamento sobre o reforço da Força Nacional nas aldeias de Dourados, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

A quantidade de crimes levou as lideranças do Conselho Indígena a procurarem o Ministério Público Federal (MPF). O procurador do Ministério Público Federal (MPF), Marco Antônio Delfino, diz que as medidas já foram tomadas.

"Já provocamos o poder judiciário e esperamos que a decisão seja, em breve, proferida, e esperamos, o mais rápido possível, que o policiamento seja reestabelecido. É importante colocar que houve assinatura de um acordo de cooperação entre o governo do estado e o governo federal para policiamento comunitário", explicou Delfino.

Conta própria
Para diminuir a violência nas aldeias, que vem crescendo principalmente entre os jovens, lideranças indígenas estão fazendo a segurança por conta própria. Mas, de forma precária, já que não possuem estrutura para isso, segundo Silvio Leão, líder do Conselho Indígena. Para ele, a presença da Força Nacional diminui a criminalidade nas reservas.

"A gente está fazendo rondas, abordagens, desarmamentos preventivo, agora estamos sem recursos, não temos combustível, não tem gasolina", afirmou.

As aldeias estão em território federal, por isso, a segurança é de responsabilidade da União. Para garantir o policiamento nestas áreas, foi assinado um acordo de cooperação com o governo estadual.

O acordo que estabelece a presença de duas viaturas e 8 homens da Força Nacional por plantão dentro das reservas indígenas de Dourados foi assinado em abril de 2011, mas, desde o dia 3 de julho de 2015, os indígenas estão sem esse serviço.

O Ministério Público recomendou ao poder judiciário de Mato Grosso do Sul o retorno da Força Nacional às aldeias, para evitar a quebra do acordo realizado em 2011. O prazo termina no fim desta semana e caso a decisão não seja cumprida a multa pode chegar a R$ 100 mil por dia.



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