Documentário mostra luta pela conquista da cidadania e trajetória do movimento indígena

09 MAR 2015
09 de Março de 2015
Fruto de um intenso trabalho de pesquisa do diretor Rodrigo Siqueira Arajeju, de 32 anos, o documentário  Índio Cidadão ? , revela o processo de conquista da cidadania indígena e os bastidores dos povos indígenas e a constituinte 1987/1988. Traz uma reflexão por meio de narrativas de alguns dos principais protagonistas indígenas da luta pelos direitos até os dias atuais.

''Nasci em Brasília, onde comecei a busca por minhas raízes em meio ao concreto armado do modernismo. Aos 32 anos, onde quer que esteja, posiciono minha artilharia criativa para questionar o rumo do país decidido nos gabinetes da arquitetura do Poder. Minha família saiu do Rio de Janeiro, chegaram na Capital para a inauguração em 1960. Gente humilde e honesta em busca de novas oportunidades e de uma vida mais tranquila. Meu avô materno se entrosou com indígenas nas suas aventuras de pescador no Planalto Central, talvez uma fabulação que ficou como memória familiar. Gosto de acreditar que sigo o caminho dele, ao meu modo...'' Rodrigo Siqueira.

Em entrevista exclusiva para Equipe da Rádio Yandê ele reflete sobre o processo de realização do documentário e comenta sobre próximos projetos. 

Rádio Yandê - O que te motivou na realização desse projeto ?

Rodrigo Siqueira : Foi um processo de reflexão sobre a situação dos chamados "direitos indígenas" no Brasil, a partir de experiências profissionais com demandas por autonomia de Povos Originários em outros países do Continente. A inspiração surgiu em vivências com autoridades ancestrais do Povo Maya na Guatemala, a partir de 2008, época em que também assisti aos primeiros documentários sobre lutas indígenas contemporâneas na América Latina. No ano seguinte, trabalhei na Costa Rica, no Tribunal Latinoamericano del Agua, acompanhando casos indígenas. Em 2009 também assisti, em tempo real, a cobertura de grandes levantamentos por direitos, como o Baguazo, no Peru, e a Minga, na Colômbia.  

Este foi o fermento para a ideia inicial do filme, que só amadureci quando voltei a viver aqui. Iniciei a pesquisa sobre a Campanha Popular Povos Indígenas na Constituinte, em 2011, na minha área de formação acadêmica que é o Direito. Pra mim foi um fato surpreendente aquela presença constante em Brasília, com a participação de delegações, saídas direto das aldeias. Importante recordar que o ordenamento jurídico vigente definia "os silvícolas" (índios) como relativamente incapazes para atos da vida civil e determinava regime de tutela pelo Estado. Percebi a força desta história e a necessidade de evidenciar um capítulo revolucionário, porém pouco conhecido, da redemocratização no Brasil. 

Encarei com seriedade o sonho de realizar o meu primeiro documentário, mesmo sem prática em produções audiovisuais, pois era clara a abordagem tendenciosa da mídia e a desinformação da opinião pública sobre o processo de conquista de direitos constitucionais específicos pelos indígenas. As emissoras de televisão, normalmente, não dão voz às lideranças como porta-vozes de suas demandas. A leitura do contexto de crescentes ataques aos primeiros Povos do Brasil fortaleceu minha convicção sobre a importância e urgência da proposta.

Idealizei o filme para a televisão, pela percepção de seu inigualável potencial comunicativo nesta era da informática. Eu quis surpreender os telespectadores com a força da oralidade - característica das culturas originárias - na condução da narrativa, através de falas públicas e entrevistas com aqueles protagonistas do Movimento Indígena na Constituinte. Se tratando de processo de desobediência civil da tutela vigente, defini que o filme só seria autêntico a partir da perspectiva indígena dos fatos. 

O meu pensamento foi de lançar luz sobre os episódios marcantes da campanha popular, coordenada pela União das Nações Indígenas (UNI) nos anos de 1987 e 1988, através do resgate de registros documentais desta autodeterminação indígena no Congresso Nacional. Depois, contextualizar a percepção das lideranças que participaram da Constituinte sobre os avanços obtidos com a conquista daqueles direitos e sua visão dos desafios de futuro. Assim, formatei o projeto cultural e inscrevi em dois editais públicos em 2011, sem êxito. Insisti no ano seguinte e a proposta foi contemplada pelo Fundo de Apoio à Cultural (FAC/DF) da Secretaria de Estado de Cultura do GDF.

Minha principal motivação foi estar a serviço das resistências de Nações Originárias no Brasil e projetar suas vozes de autodeterminação na televisão, com o objetivo de contrapor o discurso midiático anti-indígena vigente há décadas. Comecei audacioso mesmo, com a veiculação do filme neste incrível meio de comunicação em massa, querendo influenciar parte da opinião pública e agregar novos aliados ao Movimento Indígena. A televisão ainda é mais popular e acessível que a internet, sendo o alcance da TV Câmara privilegiado por permitir a sintonia nos rincões do país, via antena parabólica. Pelos dados auferidos pelo IBOPE Mídia, obtivemos alcance acumulado de mais de 1 milhão de telespectadores nas 25 exibições na programação de 2014 da emissora. 


Rádio Yandê - Como foi o processo de produção?

Rodrigo Siqueira: Iniciei a pesquisa em 2011, quando me aproximei de lideranças da UNI para pedir aval ao projeto. Álvaro Tukano foi o mentor, compartilhou comigo lembranças e abriu generosamente seu rico arquivo de memórias escritas, contendo referências essenciais. Ailton Krenak comentou que não tinha conhecimento de filme sobre o tema, apoiando a proposta. Indicou o acervo digitalizado do Programa de Índio (programadeindio.org), que ele produziu pelo Núcleo de Cultura Indígena, com importantes registros jornalísticos dos programas de rádio veiculados pela rádio USP, entre 1985 e 1991. Também mencionou o filme Aos Ventos do Futuro, de Hermano Penna, com documentação de grande mobilização de lideranças em Brasília para o II Encontro Nacional dos Povos Indígenas, realizado na Câmara dos Deputados pela Comissão Permanente do Índio - criada e presidida pelo deputado Mario Juruna.

A pesquisa do filme foi baseada em arquivos de vídeo e áudio, documentos, reportagens e publicações. Para conhecer mais detalhes do processo de participação, pesquisei os anais da Assembleia Nacional (http://www.senado.gov.br/publicacoes/anais/constituinte/7c%20-%20SUBCOMISSÃO%20DOS%20NEGROS,%20POPULAÇÕES%20INDÍGENAS,.pdf) e as matérias sobre a Campanha Povos Indígenas na Constituinte. Outra fonte de consulta também foi o livro Os Povos Indígenas e a Constituinte - 1987/1988, de Rosane Lacerda, publicado pelo CIMI, contendo muitas fotos que depois utilizei no filme.

As principais referências audiovisuais da Constituinte foram cedidas pelo Centro de Documentação (CEDOC) da TV Câmara. Utilizei trechos dos programas jornalísticos Diário da Constituinte, veiculados, diariamente, durante os trabalhos da Assembleia entre 1987 e 1988, com os destaques da imprensa para a participação indígena. Também cederam vídeos e fotos o CIMI, o ISA e seu sócio-fundador Beto Ricardo. Os áudios do Mario Juruna foram obtidos do acervo do Programa de Índio e do arquivo sonoro do CEDI da Câmara dos Deputados. Só finalizei a pesquisa em 2014, durante a finalização do filme.

A pré-produção começou em abril de 2013, ano em que o patrocínio do FAC/DF foi de fato recebido. A ocupação do Plenário da Câmara dos Deputados pelo Movimento no Abril Indígena 2013 impôs a atualização do roteiro, incluindo a forte mobilização contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215/2000. Iniciamos as filmagens em junho, quando estabeleci relação com os membros da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), durante os registros das reuniões do Grupo de Trabalho Questão das Terras Indígenas. O grupo foi criado pelo presidente da Câmara, após a histórica ocupação do Plenário da Casa, composto por parlamentares e lideranças das 5 regiões do país. 

Acompanhamos a saga dos representantes da APIB no GT Terras Indígenas por meses, processo de participação que, de certa forma, renovou a constância da atuação de lideranças indígenas no Congresso, como ocorreu durante os debates da Constituinte. Na sequência registramos a Mobilização Nacional Indígena em Defesa da Constituição Federal, em outubro de 2013, no marco dos 25 anos de promulgação, episódio marcante nas filmagens. Em novembro, tive o privilégio de filmar a entrevista conjunta com Álvaro Tukano e Ailton Krenak, no salão verde da Câmara dos Deputados. Finalizamos a produção, entrevistando o Davi Kopenawa, aproveitando sua presença em Brasília para participação em programa da TV Câmara. 

A pós-produção foi iniciada na sequência e seguiu até abril de 2014. Tive a honra de contar com o apoio de equipe indígena nesta etapa, pela preocupação de ser fidedigno com as falas em línguas nativas dos Povos Mebengokrê e A'uwe. Patxon Metuktire colaborou na tradução da entrevista do cacique Raoni e falas públicas de outras lideranças tradicionais como a Tuíra; Tsitsina Xavante e Gedeão Butse, no depoimento do pajé José Luiz Tsereté. Como ainda não tinha recebido o patrocínio no Abril Indígena 2013, contei com a parceria generosa do cineasta indígena Kamikia Kisedjê na cessão do material histórico da ocupação do Plenário Ulysses Guimarães - também retratada no filme com imagens da cobertura jornalística, cedidas pelo apoio de produção da TV Câmara. Kamikia também disponibilizou imagens da Mobilização Nacional de outubro, assim como a cineasta Maria Emilia Coelho.

Pela quantidade e qualidade do material documentado e dos arquivos cedidos, optamos por finalizar o documentário com 52 minutos de duração - formato orientado, prioritariamente, para a veiculação em emissoras de televisão. A edição foi um processo exaustivo e só fechamos a montagem do filme no final de março, com a fundamental experiência do meu parceiro de roteiro, o montador Sergio Azevedo, da Argonautas - empresa produtora associada, ao lado da 400 Filmes e Base Audiovisual. Assinam a coprodução a 7G Documenta, produtora independente que idealizei, e a Machado Filmes. A pré-estreia do filme aconteceu no Memorial do MPF, na Procuradoria-Geral da República, no dia 14 de abril. Dia 19, foi a estreia oficial com a veiculação nacional na TV Câmara.

Rádio Yandê - O que você acha que mais marcou na conquista dos direitos constitucionais e nas manifestações de Brasília em 2013 na escolha das cenas do documentário?

Rodrigo Siqueira: A diversidade da presença dos Povos Indígenas no Congresso Nacional, com seus trajes tradicionais e manifestações culturais, são as imagens fortes da Constituinte. Utilizei o material de arquivo disponível, que é essencialmente conteúdo jornalístico, mantendo o áudio original de algumas reportagens para ressaltar a caricatura da cobertura midiática em certos momentos. A discussão sobre os índios "aculturados" também é uma provocação sobre a manutenção inalterada de percepções e discursos conservadores, quase 30 anos depois. Em termos de cenas, considero as mais simbólicas a subida da rampa do Congresso Nacional pelo cacique Raoni, na abertura da sequência da Constituinte, e o emocionante discurso do Ailton Krenak na defesa da emenda popular da UNI.

A Mobilização Nacional Indígena de outubro foi um evento muito forte. Meu sentimento hoje é que filmar ali foi algo tão imprevisível como caçar um tornado. A presença de espírito foi fundamental, pois era impossível acompanhar todos os atos e entrevistar sequer a metade das lideranças de renome presentes. Para a narrativa do filme, o mais importante foi a queima da PEC 215/2000, que funciona como o clímax daquela catarse, representada na concentração de mais de 1.000 indígenas protestando no centro do Poder Federal. Além disso, foi o recurso de evidenciar a dubiedade do discurso de alguns parlamentares sobre o arquivamento desta PEC. 

Pessoalmente, o que mais me tocou foi a entrevista com a Valdelice Veron. Eu já sentia a necessidade de explicitar o genocídio continuado do Povo Kaiowa e sua demanda histórica pela demarcação de terras. A entrevista dela foi muito tocante. Ao final, toda a equipe que trabalhava comigo estava embargada em lágrimas. O compromisso com aquelas graves denúncias alterou o roteiro do filme e também desta carreira que inicio como documentarista.   

Rádio Yandê - Para você o que significou aquela cena de arquivo do Ailton Krenak pintando o rosto emocionado enquanto falava sobre a questão indígena?

Rodrigo Siqueira:Primeiro, preciso desabafar que este fundamental discurso por pouco ficou de fora do filme. Existe um grave problema de gestão dos acervos públicos de imagens, que principia com a dificuldade de consulta aos conteúdos de emissoras de TV e órgãos que conservam a memória nacional. Por exemplo, a Central de Cópia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) suspendeu os serviços de pesquisa e cessão de imagens, desde 2013. A cobertura da Constituinte foi realizada pela Radiobrás e, teoricamente, o seu acervo foi incorporado à EBC. E por incrível que pareça, não havia nenhum registro do Ailton na decupagem do acervo audiovisual do Congresso Nacional. Outro impeditivo é que, via de regra, o simples acesso é condicionado a pagamento e o licenciamento para reprodução é caro.

Eu só tinha a referência escrita do discurso da defesa da emenda popular da Campanha Povos Indígenas na Constituinte pela UNI, registrado nos anais da ANC, mas sabia da relevância do material para a narrativa do filme por ser imprescindível no contexto de conquista do capítulo “Dos Índios” na Constituição. Só consegui acessar o vídeo devido à cooperação que assinei com a TV Câmara, que me permitiu assistir às fitas de material bruto do acervo do CEDOC e resgatar a marcante intervenção do Krenak. Depois também descobri outra cópia no acervo do ISA, mas foi longa e tensa a sua busca. 

O próprio Ailton só tinha visto pequenos trechos e com a sonora ruim, ao assistir o filme na pré-estreia teve a surpresa de revisitar aquele momento - que ele revelou ter desvinculado de sua pessoa, intencionalmente. É muito forte a simbologia de sua imagem, de traje completo branco e o rosto pintado de preto, uma afronta ao discurso do índio aculturado. A fala é de arrepiar, uma presença de espírito impressionante! Sempre que assisto me emociona, é um dos trechos do filme que já me faz chorar algumas vezes. Pra mim representa o luto e a luta, como dizem os parentes Kaiowa. Teve a importância de gravar nos anais da Constituinte a denúncia sobre o histórico de genocídio e ataques aos Povos Indígenas no Brasil. 

Foi um momento histórico e fiquei muito feliz de conseguir reproduzir a íntegra do registro no filme, sendo destaque certo nos debates e comentários. Por sua importância, postei, também, no canal de vídeos de divulgação do ÍNDIO CIDADÃO?, pois espero que muitas pessoas sejam tocadas por estas palavras. Com base na pesquisa, avalio que foi o ato de protagonismo mais marcante da ANC. A imagem foi destaque na imprensa nacional e internacional. A repercussão foi tão incrível que ele adquiriu status de parlamentar constituinte no imaginário de muita gente, informação que ainda é equivocadamente reproduzida em diversos sites. Inclusive é o único representante da sociedade civil que compõe o mural de fotos dedicado à Constituinte, no Anexo II da Câmara dos Deputados, locação do depoimento dele na sequência final do filme.

Rádio Yandê - A Valdelice Veron é  hoje um símbolo de luta dos Guarani Kaiowá. Por que a escolha dela para conduzir?

Rodrigo Siqueira:Testemunhei a contundente fala da Xamiri Nhuputy na cerimônia de entrega do IV Prêmio Culturas Indígenas, em julho de 2013, no Memorial dos Povos Indígenas. Já tinha visto vídeos dela e outros lideranças Kaiowa, mas fiquei realmente impactado com a força da denúncia sobre o genocídio da sua Nação em marcha no Mato Grosso do Sul. Quando a vi na Mobilização Nacional de 2013, foi a primeira pessoa que busquei para entrevistar. 

A escolha dela para conduzir surgiu no processo de edição do filme. Porque tinha memórias de infância impressionantes da participação na Constituinte, acompanhando seu pai, o cacique Marcos Veron - grande liderança que iniciou o processo das retomadas Kaiowa e derramou seu sangue nesta missão. Senti a força dos seus depoimentos, principalmente o testemunho do assassinato do pai, e o comprometimento de dedicar sua vida ao seguimento desta luta. 

O principal que intuí foi o potencial para sensibilizar as pessoas que desconhecem ou são contrárias à causa indígena, este é um dos principais objetivos do filme. Qualquer pessoa que ainda guarde um pouco de humanidade vai se sensibilizar com as denúncias que a Valdelice expõe. Ao ouvir sobre aquelas crueldades contra mulheres e crianças Kaiowa e a brutalidade do extermínio de lideranças, mesmo se tiver preconceito contra os indígenas, ela vai quebrar a barreira do outro e sentir na pele aquela ferida aberta. Quando se pensa o discurso audiovisual, é obrigatório calibrar a mira para que atinja seus alvos. Acredito que foi uma escolha acertada, muitas pessoas relatam comoção com as falas da Valdelice no filme.    

Rádio Yandê - Você pensa em fazer uma continuação ou um novo projeto de documentário dentro da temática?

Rodrigo Siqueira:No processo de filmagens, percebi que a questão da falta de representatividade direta no Congresso Nacional era o mote para a continuação do tema e já troquei ideias com os entrevistados a respeito. Foi intencional terminar o filme com a fala do Mario Juruna e as reflexões do Ailton, sobre a necessidade de lutar com novos parlamentares indígenas. Estou no processo de produção do curta metragem ÍNDIOS NO PODER (título provisório), projeto aprovado no Edital Curtas 2013 da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, nova parceria da Machado Filmes e 7G Documenta.

O roteiro do filme se inicia com o resgate de registros da atuação do Mario Juruna, único deputado índio na história do Parlamento, e das eleições para a Constituinte, quando se consumou a impossibilidade de representatividade, que perdura até hoje. A abordagem contemporânea se baseia nas Eleições 2014, na qual o protagonista que representará as dezenas de candidaturas indígenas é o cacique Ládio Veron da Nação Kaiowa e Guarani. O caso dele é simbólico: uma liderança das retomadas, ameaçado pelos latifundiários do Agronegócio, que luta para se eleger deputado federal para travar o debate político no Congresso, dominado pela Bancada Ruralista. É isso que posso adiantar, em breve teremos novidades.

Mas o trabalho pela divulgação do ÍNDIO CIDADÃO? ainda segue e tenho me dedicado aos desdobramentos do projeto. O filme foi selecionado na IV Mostra Pajé Filmes. Será exibido em abril, em Belo Horizonte, e tem a janela de novos festivais de cinema em 2015. Também tenho a intenção é distribuir para outras emissoras de televisão e aumentar seu alcance. O filme deve ser explorado como ferramenta de conscientização da sociedade, pois as terras indígenas são patrimônio da União e sua preservação interessa a todos nós brasileiros e as futuras gerações que tem o direito constitucional de herdar um meio ambiente ecologicamente equilibrado. 

Outro grande desafio é expandir o seu poder de convocatória para a mobilização dos Povos Indígenas. Fizemos a distribuição gratuita do filme para lideranças e organizações, com muitas exibições em assembleias e cursos de formação em terras indígenas e retomadas de diferentes regiões do país. Iniciei diálogo promissor com a Coordenação-Geral de Promoção da Cidadania da FUNAI, visando difundir o filme e promover debates nas suas atividades de mobilização social. 

Outro desafio é sua utilização nas escolas da rede de ensino pública e privada, como ferramenta audiovisual educativa, adequada ao conteúdo obrigatório estabelecido na Lei 11.645/2008, proposta traçada desde a concepção do projeto. Já existem instituições de ensino superior se valendo do filme, em graduações regulares e interculturais. Gosto de pensar sua difusão de forma ampla.

''Preciso viver com a esperança em lugar seguro, com atitudes cotidianas que alimentem meus sonhos pelo buen vivir para toda a humanidade e seres do planeta. Me recordei agora do final do filme, perfeito pra encerrar a entrevista. Dedico essa obra à Resistência de todos os Povos Originários e ao novo amanhecer dos curumins e das nossas crianças. Minha gratidão sincera pela oportunidade. E diga ao Povo que avançaremos!'' Rodrigo Siqueira.

Mais informações: http://indiocidadao.org/


Redação Yandê
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