“ÍNDIO NÃO QUER SE CIVILIZAR”

21 ABR 2015
21 de Abril de 2015

Vasculhando como sempre na internet, tudo relacionado à questão indígena, deparei com essa pérola:


 Nos comentários do site Olhar Direto

Tristeza “valto silva”, é quando nos deparamos com a ignorância explicita de uma grande parte dos brasileiros, infelizmente, o senhor não é o primeiro e nem será o último a demonstrar essa vontade. O Brasil necessita urgentemente reformular ou criar um sistema educacional e cultural entrelaçados. Não entendemos como separaram estes seguimentos que possibilita-nos o entendimento do TODO, esta prática favorece o isolamento dos saberes que dignificam o homem.

Passaram 515 anos, e os descendentes dos invasores continuam com as práticas seculares que nos desqualifica e desvaloriza. Para o conhecimento de todos somos civilizações todas as etnias indígenas tem sua ordem social, e o conceito de civilidade é relativo, diferentemente de ser civilizado para: promover a destruição da Natureza; corromper; explorar; consumir desordenadamente; esbulhar; exterminar; dominar; promover a miséria; comercializar; enriquecer ilicitamente; violar os direitos humanos; favorecer criminosos; impor cultura e tradição; etc. 

Nestes termos não precisamos ser “civilizados” nossa cultura ancestral é adversa a essas questões precisamos que nos respeitem como seres humanos, nossa cultura e tradição são os sustentáculos da nossa sabedoria que nos mantém vivos apesar do enfrentamento diário com as adversidades do pensamento cultural europeu que vem tentando devorar a todos nós, a fim de tornarmos marionetes em mãos do famigerado “PODER”.

Chega de falta de conhecimento, o crescimento para atingir a sabedoria depende do esforço de cada um, infelizmente, muitos preferem serem guiados ou teleguiados permanecendo na obscuridade do SER, outros vivem de aparência copiando fantasiosamente pensamentos ou estilos fora do contexto da sua realidade e emitindo coisas tão sem pés nem cabeça.

Sinto uma vontade enorme de ter nascido quando ainda não existia aqui a presença desses tais “civilizados”, imagino sempre como viviam nossos antepassados e a sorte que tiveram de não presenciar tanta falta de informação, tantos desmandos que estão levando para o fim da humanidade, não somente física, mas moral e espiritual.

Deixo pensamentos reflexivos de um “branco”, que na sua sabedoria mostrou como é simples viver em harmonia: 

“Todos os dias devíamos ouvir um pouco de música, ler uma boa poesia, ver um quadro bonito e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.'' Johann Goethe                                                                                         
 E também de um indígena, sobre a falta de conhecimento:

“Se você fala com os animais eles falarão com você e vocês conhecerão um ao outro. Se não falar com eles você não os conhecerá, e o que você não conhece você temerá. E aquilo que tememos, destruímos.
                                                                                                                                                         Chefe Dan George (indígena de Burrard Band, em Burrard Inlet, British Columbia.)


Yakuy Tupinambá

Educadora e militante do movimento indígena Tupinambá. Autora de vários textos, publicados, entre outros, nas coletâneas Índios na visão dos índios, na rede indiosonline e em Indiografie (Costa &Nolan/Itália). Técnica em economia doméstica, cursou alguns períodos de Direito na Universidade Federal da Bahia – UFBA.
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