SER OU NÃO SER ORIGINÁRIO (INDÍGENA)?

12 MAR 2015
12 de Março de 2015

Hoje, temos indígenas graduados, pós graduados, Mestres e Doutores, mas qual a importância dessa classificação de novos conhecimentos para a cultura indígena, o que isso trás de benefícios para as comunidades aldeadas e para o Movimento Indígena?

Alguns diriam: - que bom, os indígenas estão “evoluindo”, vão poder ajudar seu povo a conquistar, garantir e defender os direitos que almejam, não será mais uma luta tão desigual afinal aprendeu como utilizar as ferramentas do Sistema que mantém o Estado Opressor, revertendo-as para se manterem preservados...

Outros reagiriam com um olhar carregado de preconceito e discriminação, por não compreenderem ou até mesmo não aceitar que se trata de Ser Humano, e que todos os sistemas são dinâmicos.

Mas, o que importa aqui é a mudança do statu quo da grande maioria desses universitários, que ao alcançar seu tão almejado diploma, enveredam-se no caminho da subjugação e aniquilação daqueles que optaram, ou não tiveram a mesma oportunidade de frequentar uma academia sistemática, formadora de um grande exército de individualistas e predadores, basta se fazer presente e observar o que acontece nos encontros, seminários, conferências, reuniões, etc., promovidos pelo governo, ou não. Basta-os subir um degrau de destaque, para se sentir auto suficiente e calar as milhares de vozes que anseiam em contar suas dores, tristezas, alegrias e esperanças.

A Mãe natureza nos ensina, que ao decidirmos sair por ai caminhando, devemos prestar atenção onde pisamos, para não sermos engolidos por um poço de areia movediça, ou, até mesmo encontrar uma fera e servir de refeição, diferentemente de um lamaçal, esse ainda dar para encontrarmos um bom regato e nos banharmos tirando toda sujeira.

Ouça o conselho dos mais velhos, para que seja possível a manutenção da ancestralidade, do coletivo, da oralidade, enfim, da preservação da nossa cultura e de nossas vidas.

Somos indígenas, porque trazemos uma história sustentada pela hereditariedade, e não por ter olhos “rasgados”, cabelos lisos, ou andar nus, são as nossas manifestações, a forma como nos relacionamos com o meio em que vivemos que nos identifica se perdemos essas características podemos ser qualquer outra coisa, menos um SER Indígena.

Podemos aprender a fazer tudo que o outro faz, sem precisarmos deixar de ser quem somos a questão é quando acreditamos o que é feito pelo outro é melhor que o nosso e passamos a assumir uma identidade que não é nossa, o que pensamos ser vantagem poderá ser a ruína não apenas nossa, mas de milhares, pensa nisso!



Yakuy Tupinambá
Educadora e militante do movimento indígena Tupinambá. Autora de vários textos, publicados, entre outros, nas coletâneas Índios na visão dos índios, na rede indiosonline e em Indiografie (Costa &Nolan/Itália). Técnica em economia doméstica, cursou alguns períodos de Direito na Universidade Federal da Bahia – UFBA.  
Voltar

© 2013 - 2019 YANDÊ - A rádio de todos. Todos os direitos reservados