O GRITO QUE ECOA, MAS NINGUÉM OUVE

10 NOV 2015
10 de Novembro de 2015

(Foto:Jonathas Branco Campos)

Onde estamos e para onde vamos? A humanidade está insana chegamos ao ponto final e só temos duas saídas à liberdade de escolher entre a vida e a morte, é como o adágio popular do fundo do poço ou o mais popular de todos – se correr o bicho pega e se ficar o bicho come – me faz lembrar também do Raul Seixas, quando falou da cegueira da visão e alguém falou da surdez, quando disse que todos estavam surdos e como se não bastasse o estado de burrice instalou-se corroendo as mentes e os que ainda não cederam são classificados de loucos não deve-se dar créditos.

O materialismo suplantou a essência da vida terrena, nada mais significa além do Poder de possuir mais e mais, o querer de acumular tornou-se pandêmico quem não consegue ser atingido é posto a margem sem significado algum, outros fazem parte do grupo que sustenta esse mal do século.

Muitas vezes me vejo buscando encontrar respostas para entender a fraqueza que leva o ser humano a tornar-se um fantoche e percebo como somos pequenos e fracos diante da grandeza e da sabedoria da Mãe Natureza, que na sua beleza e bondade infinita teima em despertar na espécie humana a necessidade urgente de uma consciência humanitária para a preservação das espécies. A paixão tomou conta da razão de existir para permanecer evoluindo em estágios naturais que fogem de qualquer pensamento filosófico construído através da busca que se tem em encontrar respostas sobre tudo ou sobre o nada.

As classificações, divisões, demarcações que formam grupos, equipes, coletivos, gangues, facções, quadrilhas, raios ou qualquer outra forma de separar algo só tem servido para promover a desordem e impedir avançar os estágios que precisamos vivenciá-los determinantes para o nosso crescimento tornando-nos impiedosos de natureza.

Crise generalizada, caminhos tortuosos e devastadores nos levam ao abismo, o desejo de querer o desnecessário para viver está produzindo efeitos mais devastadores que qualquer catástrofe natural, ou até mesmo ás guerras que foram instaladas, os caminhos que são tomados como fugas surtem o mesmo efeito, jovens enveredando-se cada vez mais nas drogas alucinógenas, a promoção do suicídio avança a passos largos.

Eu aqui na minha aldeia, neste exato momento ouvindo o canto de um sábia, vendo o azul esverdeado das águas marinhas pela janela, assim como, o barulho das ondas banhando as praias, o vento brincando com as folhas dos coqueiros e outras espécies de árvores, e ao meu lado uma cadela que insiste em está perto me fazendo companhia, ouço crianças passando na estrada conversando inocentemente, também ouço o galo cantar, a cigarra que não se cansa de anunciar o verão e tudo isso me faz sentir cada vez mais responsável em continuar gritando na tentativa que alguém ouça e comece a se movimentar para transformar e melhorar o mundo para todos não deixando que a morte assuma a vida por completo.
Onde estão a ESPERANÇA, a SABEDORIA e o AMOR?

Para onde estamos indo ou estão nos levando e aqueles que não estão contribuindo para a promoção do CAOS, devem ser responsabilizados pela ignorância dos que se dizem intelectuais e civilizados?

Yakuy Tupinambá

Educadora e militante do movimento indígena Tupinambá. Autora de vários textos, publicados, entre outros, nas coletâneas Índios na visão dos índios, na rede indiosonline e em Indiografie (Costa &Nolan/Itália). Técnica em economia doméstica, cursou alguns períodos de Direito na Universidade Federal da Bahia – UFBA.

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