Movimento Indígena do Amazonas em busca de fortalecimento

27 MAR 2018
27 de Março de 2018

FOTO: DIEGO JANATÃ


Por Djuena Tikuna  
Via Grupo de Colaboradores Yandê

Teve início nessa segunda feira, 26, a Assembleia dos Povos Indígenas do Amazonas, o evento tem o objetivo de reunificar o movimento indígena para que esse possa voltar a ser uma base forte da COIAB no Estado que, até o presente momento não possui uma organização, a nível estadual, que atenda as diversas pautas do povos indígenas.

Apesar de criada, a COIPAM - Coordenação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas, ainda não funciona juridicamente, esse é um dos principais entraves que o movimento Indígena precisa resolver. Como acessar recursos e se articular politicamente se a organização ainda não foi efetivada legalmente? Para encontrar soluções para essas entre outras questões que o movimento indígena do Amazonas está reunido em Manaus.

O principal objetivo da Assembleia é a eleição da nova coordenação executiva da COIPAM que ficará no exercício do mandato durante 04 anos (2018-2022). Tempo precioso  para se rearticular e "consolidar a força do movimento indígena.

Há também temas transversais que algumas lideranças estão fazendo questão de abordar durante o encontro, como a representatividade Indígena na FEI-Fundação Estadual do Índio, órgão do governo do Estado criado após a extinção da SEIND, para atender as questões indígenas no Amazonas.

O evento conta com a participação de lideranças indígenas representando as 16 regiões que compõem a base da COIPAM, entre elas, Rio Solimões, Rio Negro,  baixo Amazonas e  Vale do Javari, regiões com especificidades bem distintas e demandas urgentes, o que vai trazer muito trabalho para os futuros coordenadores, que vão precisar de muito compromisso e seriedade para contribuir, enquanto entidade majoritária do movimento organizado,  com a pauta de lutas dos parentes.

De acordo com o atual presidente da COIPAM, Fidelis Baniwa, além de eleger a nova coordenação, a missão da assembleia é reestruturar e discutir o perfil da entidade, consolidando a re representatividade das regionais."Essa composição é vital para o fortalecimento da COIAB nesse momento de retrocesso de direitos. É importante que cada região tome para si a responsabilidade de discutir, não só o que acontece local, mas também fazer a ligação com a COIAB e discutir o cenário nacional e internacional. As lideranças precisam compreender isso", reflete Baniwa, há poucas horas de passar o cocar da COIPAM.

O evento é organizado por uma comissão mista da COIPAM, composta por representantes de organizações indígenas atuantes no Amazonas, como o caso da AMARN - Associação das Mulheres Indígenas do Rio Negro e COPIME - Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno. O evento tem o apoio da FAS - Fundação Amazonas Sustentável que há dez anos é parceira dos povos indígenas e de causas ambientais na região.

BASE FORTE - Umas das principais interessadas no fortalecimento da COIPAM é a COIAB, conforme assinala o coordenador secretário Sitpro Xerente. 

"Para a COIAB é muito importante o fortalecimento de suas bases, pois precisamos fazer com que o movimento Indígena amazônico fique cada vez mais forte, pois vivemos temposmuito complicados e a luta tem que ser pra valer", garante.
 
Essa mesma linha de pensamento segue a liderança Marcos Apurinã, que também já foi coordenador da COIAB e hoje é um dos nomes para concorrer à coordenação da COIPAM. Ele entende que o movimento indígena não precisa só fortalecer com a sua base, mas com a Amazonia também. Apurinã diz que a COIAB é um grande guarda chuva e que tem a responsabilidade enorme de defender, cobrar e fazer com que os direitos indígenas sejam garantidos na prática. 

"A COIAB, como nossa representante maior, é essencial caminharmos juntos, para que esse momento seja aproveitado para fortalecer o movimento indígena", afirma o guerreiro.

A coordenadora da COIAB, Nara Baré, após cumprir agenda com parceiros e aliados do movimento Indígena no Fórum de Milão para Defensores Ambientais, participa do segundo dia de atividades da assembleia da COIPAM.

COORDENAÇÃO POR CALHA DE RIO - Durante o primeiro dia do encontro foi questionado o modelo de representatividade da COIPAM. Lideranças defendem que ele seja descentralizado e passe a ser regionalizado. Saíram algumas propostas para que duas lideranças por calha de rio, uma mulher e um homem, sejam as referências da COIPAM. 

Concorre as eleições da COIPAM os seguintes nomes, indicados em plenária pelos representantes da base, conforme defende o Estatuto: Orlando Baré, Marcos Apurinã, Zenilton Mura, Aldemir Saterê e Yura Marubo.

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