Intervenção indígena em encontro dos 25 anos do livro "História dos Índios no Brasil" reabre discussão sobre espaço de fala das nações indígenas

26 DEZ 2017
26 de Dezembro de 2017
Uma intervenção indígena não esperada ocorreu no encontro 25 anos de História dos Índios no Brasil - balanços e perspectivas da história indígena, desde a publicação do livro organizado por Manuela Carneiro da Cunha, a partir da agenda proposta em 1992. O evento foi organizado pelo Centro de Estudos Ameríndios (CEstA/USP) e pelo Centro de Pesquisa em Etnologia Indígena (CPEI/UNICAMP), foi realizado nos dias 12 e 13 de dezembro de 2017, na sala Villa Lobos da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin - USP.

A iniciativa de indígenas que estavam no local em pedir espaço de fala, reabriu uma discussão antiga sobre a participação em debates que envolvem a temática das culturas e histórias indígenas, pelos considerados por muito tempo apenas objetos de pesquisa de especialistas e pesquisadores.

Eles fizeram uma proposta para o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP que em breve vão disponibilizar.

A primeira mesa indígena não esperada do evento teve a participação de Timei Asurini, Ninawa Huni Kui, Márcia Mura, Xavante e Carlos Papá.

Timei Assurini, de 23 anos, da região do Médio Xingu em Altamira, no estado do Pará fez parte do manifesto durante o evento em relação a necessidade de maior abertura do espaço acadêmico em temas que envolvem os saberes da população indígena. Seu povo Awaete sofre diariamente com os impactos deixados por não indígenas além da construção de Belo Monte. Ele criticou a postura dos pesquisadores que não agem de forma ética ao realizar pesquisas em campo no território indígena. 

"Eu tô aqui para construir uma coisa nova, junto, mas de verdade. Eu queria saber quem é que ta aqui de verdade. Eu queria saber quem está apoiando e quem vai nos ajudar realmente...'', disse Timei.

Projetos também já existentes podem ser enquadrados nas práticas em respeito ao lugar de fala indígena. O Movimento Levante Indígena na USP fez um ato simbólico em 2016 para mostrar a resistência dos indígenas dentro dessa universidade, da organização e luta por suas demandas. 

Assista a primeira mesa indígena aos 02:03:00

Transmissão disponível nos links:



Reflexão do Ailton Krenak aos 09:00:00
"A minha geração sabe que não é frequentando a instituição dos brancos que vamos criar autonomia..." disse Ailton. Em valorização do saber indígena ele fez comentários inéditos sobre o espaço colonizador das instituições brancas. 
Redação Yandê
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