A força está na pluralidade do ser 

06 SET 2017
06 de Setembro de 2017
Photo:Ana Tijoux - Facebook
Por Renata Machado | Rádio Yandê |

Se você é indígena e não sabe cantar nenhuma música de seu povo ainda tem tempo de aprender, o canto é alimento, força, guia nossa fé, estabelece saúde, cura, alegra e une. Não desanime nem tenha vergonha de ser quem é. 

É especial quando os jovens se empoderam de sua cultura e bebem identidade, os saberes existem não para apresentações teatrais ou apenas escrever em trabalhos acadêmicos mas para serem vividos ainda que algumas gerações tenham sido impedidas de praticar cultura, as novas precisam do empoderar delas mesmo que tenham escolhido religiões diferentes como o cristianismo, umbanda, candomblé ou qualquer outra. E isso não é apenas saber dançar algo da cultura tradicional em eventos para karaibá/ karai ver e tirar foto.
Há algum tempo venho conversando com jovens indígenas de diferentes etnias. No nordeste devido ao longo contato o processo de fortalecer a cultura é forte dentro das comunidades. Cantos que pertencem a etnias do nordeste se popularizaram entre outras regiões, sendo exemplo forte de reexistência cultural. Mas será que está havendo valorização de cada etnia aos seus próprios cantos ?


As músicas que ficaram populares ao serem cantadas em qualquer roda de toré também inspiram outras etnias valorizar a si. Afinal quem sabe cantar o canto de outro povo e não sabe nenhum do seu próprio ? Aqueles que se identificarem com tal pergunta melhor que qualquer outra pessoa  são os únicos que podem mudar o rumos de sua geração.
Aîeruré xe sy iby supé, yby xe reté
Foto: Arquivo pessoal  de Renata

Quando cantei pela primeira vez eu tinha 8 anos. Aos 18 eu já cantava também alguns cantos na língua do meu povo, além de cantar tradicionais, para quem passou  grande parte da vida em ambiente urbano não foi algo fácil, mas veio da intensa sede da própria essência. A gente adoece longe da cultura pois ela é nossa saúde e equilíbrio. 

Venho de uma etnia que muito historiador acreditava estar extinta, o tupi que foi proibido não impediu que as gerações atuais buscassem aprender novamente falar sua língua mesmo que em nheengatu pela maior facilidade de acesso a materiais. As retomadas também ocorrem no nosso ser e forma de estar no mundo. Nossa diferença mostra a pluralidade étnica por isso não se pode retomar copiando outras identidades sem fortalecer sua própria. A consciência brota cada vez mais entre a juventude indígena ao valorizar os saberes.


Como diz o jovem youtuber Pitaguary :"Jenipapo é o poder"
*Renata é da etnia Tupinambá, jornalista, roteirista e produtora. Trabalha com a comunicação voltada para etnomídias, descolonização dos meios de comunicação e fortalecimento das narrativas indígenas. 
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