Mensagens indígenas em 19 de Abril 

19 ABR 2017
19 de Abril de 2017
Indígenas usaram as redes sociais para se manifestar sobre o dia 19 de Abril. 


Luciano Ariabo Kezo é um jovem da etnia Umutina, ele é formado em Letras pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e criou um livro didático do idioma de seu povo em Mato Grosso.

"Vou dizer quem eu sou, e já me antecipo pontuando que, não sou índio!! Para eu versar um pouco sobre este aspecto que já logo implica na identidade, automaticamente as minhas ideias se remeterão à ancestralidade que me toca, aí essa ancestralidade me revela e me faz construir argumentos bastantes plausíveis de quem eu sou factualmente. O "sou" em questão está muito além das ideias que foram sendo formadas a respeito do que é ser "índio", como muitos diriam que eu seria sem nem mesmo sequer eu me apresentar. O meu fenótipo parece satisfazer como resposta a alguma questão em relação a minha origem étnica, porém isso não passa de uma mera ilusão que já esgotou ao longo de alguns seculos. Dito isso, rememoro com muito orgulho, conscientemente, a formidável resistência de meu povo para preservação de algo que é imprescindível para qualquer ser, a identidade. Dentro dessa premissa de assegurar algo de grande valor é que eu me sustento para expressar que sou Balatiponé sem nenhuma interferência duvidosa. Ser Balatiponé também quer dizer originário da terra, mas dentro da percepção de um povo que tem propriedade para dizer isso, "Índio" seria uma palavra insignificante para traduzir uma história como a nossa. O dia "19 de abril" é uma data que não dá conta de significar as lutas históricas de mais de 300 sociedades indígenas em nosso Brasil. O dia 19 de abril quer dizer indígenas com direitos violados!! Quer reflexão sobre os massacres que ainda acontecem contra os povos indígenas, entendeu? Sou Balatiponé!! Matikamé?? E vc quem??'', escreveu em sua rede social. 










Foto: Ernesto Rodrigues/Folhapress

#DemarcacãoJá

Djuena Tikuna é do Amazonas e etnia Tikuna, ela é cantora e estudante de jornalismo.

"Hoje a floresta está triste 

Hoje os rios estão secando

Os pássaros não cantam mais, 

só sabem chorar 

O céu chove sangue 

E as borboletas voam para longe 

Na minha aldeia, as crianças ardem em febre 

 e queimam até mesmo o sopro do pajé

somos sobreviventes  precisamos viver  

Somos o grito da floresta 

Somos os peixes, subindo a correnteza  

Somos a revoada das araras,

no por do sol  

Somos os donos da terra 

A floresta é nossa

 Nós somos a floresta. 

Comemoramos hoje a luta

 e a Resistência dos Povos Indígenas!", 

disse Djuena Tikuna e Maiyu.   

Foto:Arquivo Pessoal

Foto:Arquivo Pessoal


Maykon Pepjaca Krikati é um jovem maranhense da etnia krikati.


"Dia 19 de abril: será que temos o que comemorar? 
19 de abril é a data em que se comemora o dia do “índio” em razão de um decreto criado pelo presidente Getúlio Vargas em 1943 – decreto lei-número 5.540. Contraditoriamente, nessa mesma década aconteceria a Marcha para o Oeste, causa de violência e violação de direitos contra os povos indígenas.

A data entrou pro calendário, mas as questões indígenas mal estão na agenda das autoridades e até hoje há terras sem demarcação e graves violações de direitos humanos em vários territórios.
Assim, não só a data, como o mês de abril, deve ser um momento de luta e resistência aos retrocessos e às ameaças contra os direitos que foram conquistados com muita luta. É também um mês para dar destaque e visibilidade às questões indígenas e para lutar pelo respeito aos povos de todo o Brasil. 
A bancada ruralista está a todo tempo querendo derrubar as leis que protegem os indígenas, criando Propostas de Emenda Constitucional, como a PEC 215, entre outras ameças aos direitos conquistados com tanta luta por anciões no passado. As violências contra os povos indígenas continuam, por isso, ainda há muita luta a fazer.
 
Vale ressaltar que o Congresso Nacional, mais especificamente, a Bancada Ruralista, e o Ministério da Justiça estão criando cada vez mais instrumentos político-jurídicos que alteram e desrespeitam a Constituição Federal de 1988 (artigos 231 e 232), Declarações e Pactos Internacionais. Um exemplo disso é o Decreto de Regulamentação de Terras Indígenas que está em tramitação, e que foi publicado pelo Alexandre de Morais quando ainda era ministro da Justiça. Este decreto incorpora o Projeto de Emenda Constitucional PEC 215 e a tese do “marco temporal” de 1988. Isso preocupa os Povos indígenas , pois, se aprovado, trará consequências nefastas para os territórios. 

O mês de Abril tem que ser um grito sobre essas violações. O momento não é de comemorar, mas de lutar para não perder nossos direitos. Parentes, vamos aproveitar o Acamento Terra Livre, que será um espaço de reunião e mobilização dos povos indígenas, na semana que vem, em Brasília! 
Hoje não é o dia se comemorar o dia do indígena, e, sim, refletir. Por isso, não há o que comemorar nessa data, e sim lutar; lutar e desistir jamais.

Por último, vale dizer que, além do 19 de abril, há uma outra data que mal é lembrada: 9 de agosto é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, estabelecido em 1995 pela ONU ( Organizações da Nações Unidas), pelo reconhecimento das lutas internacionais de cada Povos indígenas e pelo direito de viver em harmonia e respeito. Isso é uma conquista do movimento indígena, que sempre pressionou , cobrou e lutou para ser ouvido no mundo inteiro",publicou Pepyaká Krikati.
Foto:Arquivo Pessoal
Erisvan Bone é um jovem jornalista indígena do Maranhão da etnia Guajajara.

"O Dia do índio não temos nada a comemorar e sim a nos indignar e lamentar por todos os ataques, violências e criminalização e assassinatos de nossos povos . A força das mobilizações continuam muito importantes para reverter esse quadro . O Dia do índio é considerado por nós Dia de luta e resistência pelo Direito de viver!", compartilhou nas redes.



Redação Yandê
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