Menino indígena é protagonista em mangá brasileiro

01 ABR 2017
01 de Abril de 2017
O projeto de quadrinho nacional A Lenda de Bóia conta história de um menino indígena no século XVII que tenta salvar seu povo de uma terrível maldição. Bóia é seu nome e ele enfrenta vários desafios ao lado de seu amigo um mico-leão chamado Kugo. 

Os traços de mangá que são de histórias em quadrinhos de origem japonesa, faz a história brasileira no quadrinho chamar atenção pela originalidade, despertando curiosidade do público e jovens acostumados com trabalhos inspirados em culturas de outros países. Léo Andrade conversou sobre como foi a criação deste personagem em valorização das culturas no Brasil.
Léo Andrade foi o criador e roteirista, Lucas Queiroz é diretor de animação e a composição musical do Daniel Miura. 


"A minha ideia do Bóia sendo índio é mostrar...que podemos olhar os índios, nossa cultura, com outros olhos, dando o valor merecido, você pode ver no Japão e Estados Unidos, eles dão valor a sua cultura quando fazem o seu trabalho. Por que temos que ficar copiando eles? Por que não fazer algo baseado na nossa ?", questiona Léo.

Jovens indígenas não encontraram quadrinhos e desenhos que os represente de alguma forma e não possuem indígenas como protagonista em grande parte das obras artísticas, trabalhos com protagonistas indígenas também trazem autoestima e valorização ao público esquecido pelos autores.

O nome do personagem foi pela lembrança de infância da estátua do indígena da etnia Temiminó, conhecido como Cacique Araribóia no centro do município de Niterói no Rio de Janeiro, este monumento está localizado na Praça que também chama Araribóia. Ele ficou conhecido como herói pelos portugueses e fundador da cidade. Bóia em tupi significa cobra.

Preconceitos e estranhamentos de alguns não desanimaram na criação do quadrinho. A releitura sobre a história também vai buscar valorizar elementos do folclore de um Brasil desconhecido.

"No inicio foi bem complicado... Eu acho que foi um dos motivos...Quem não gosta de um desafio não é mesmo ?",afirma.

Um dos desejos do autor é despertar nas crianças carinho pela cultura e um novo olhar das histórias e mitos deixados de lado. E que gostaria de ver os jovens usando não apenas camisas de super heróis estrangeiros como Batman e Super Homem mas também brasileiros.Ele espera que seu trabalho agrade os indígenas e  não ofender com algum erro na abordagem do tema.

" Fazer a nova geração olhar com outros olhos e quem sabe gerar um respeito perdido no passado pela geração que ficou..." diz.

Emocionado, Léo comenta que a mensagem que deseja passar com seu personagem é um pedido de desculpas aos povos indígenas pelo que o colonizador fez e ainda fazem.

"É um pedido de desculpa por tudo que meus antepassados fizeram no passado, fazem hoje e com certeza vão continuar fazendo. Me desculpem... Hoje eu não tenho voz ou braços para mudar algo, mas eu acredito que se o Bóia tiver força para chegar a algum lugar eu quero, desejo fazer algo. Vocês são nossos irmãos, os donos desta terra, os primeiros a chegarem...", comenta.



Redação Yandê
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