Crime contra as águas em percurso no Brasil

27 MAR 2017
27 de Março de 2017

Foto: Jae C. Hong/AP

O Fraking que é um método de fraturamento hidráulico, com hidrocarbonetos presos dentro das rochas que são extraídos,emite algumas substâncias cancerígenas chamadas de BTEX (benzeno, tolueno, etilbenzeno e xilenos). Ele produz um volume grande de dejetos tóxicos e radioativos que são potentes poluentes atmosféricos, trazendo mudanças climáticas e impactando o meio ambiente.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, ANP, sem consultar a sociedade civil e produzir um estudo de segurança ofereceu para leilão em 28 de novembro de 2013, 240 blocos localizados nos principais aquíferos brasileiros, o Guarani, Bauru, Acre, Parecis, Parnaíba e Urucuaia. Empresas brasileiras e estrangeiras, arremataram 78 blocos. As bacias do Recôncavo, Alagoas, Paraná, Sergipe, Parnaíba e Acre estão em alto risco.

Photo credit: Oriana Eliçabe / Paulo Lima / 350.org

A Rádio Yandê entrevistou, o ambientalista Luiz Afonso Rosário, da Liga Brasil de Responsabilidade Sócio-Ambiental. Junto da 350.org ele faz parte da campanha Não Fracking Brasil ao lado do coordenador indígena, o Kaingang, Romancil Cretã.

''O FRACKING é a extração de gás natural por método não convencional, utilizando o faturamento hidráulico nas rochas de xisto, ou shale gas (injeção de grandes quantidades de água em alta pressão e areia), adicionado a mais de 600 produtos químicos, inclusive cancerígenos. Sua perfuração é vertical, a profundidades que variam de 800 à 5 mil metros, conforme a localização na jazida. Como os lençóis freáticos ficam acima das profundidades perfuradas, revestem as tubulações com cimento para tentar evitar a contaminação, porém, como já amplamente discutido e comprovado pelas universidades norte-americanas, o cimento invariavelmente produz fissuras com o tempo e a infiltração é inevitável.'', explica Luiz.

Nos Estados Unidos, o estado de Nova York proibiu o fracking, e Oklahoma, depois do aumento do registro de terremotos.

''A ANP – Agência Nacional do Petróleo alega que esta técnica de exploração de gás não está sendo usada no país, porém, admite que a legislação não obriga a empresa que realiza a perfuração declarar se estará utilizando técnica convencional ou não convencional, portanto o risco ambiental é eminente e extremamente danoso ao meio ambiente e aos Povos e Comunidades Tradicionais, além de que não há fiscalização. A técnica do faturamento hidráulico desenvolvida a décadas nos Estados Unidos – estudos revelam que nos anos 70 foi implantada inicialmente em áreas desérticas, como no Arizona e Texas -, porém, na medida que os poços iriam se exaurindo (secando), foram avançando para perto de áreas com maior densidade de populações e produção agropecuária, onde começaram a sentir os efeitos danosos desta exploração de gás, até porque nos desertos, os impactos não eram sentidos e muito menos medidos ou monitorados – ninguém monitora os impactos em colônias de cobras, lagartos, aranhas e escorpiões -, espécies comuns que habitam os desertos.'', diz.

 A região amazônica é um das com mais gás e cobiçada por muitas empresas.

''No Brasil, com a intensificação das pesquisas sísmicas na última década – técnica utilizada para identificar jazidas de petróleo e gás, seja em terra ou mar, aplicando ondas sonoras (airguns ondas de ar que refletem na profundidade do local pesquisado e retorna para computadores e softwares que irão formar gráficos sinalizando para a presença ou não de petróleo) e pequenas explosões (de acordo com o Serviço Geológico de Oklahoma, entre 17 e 24 de Junho/2016, o estado americano registrou 35 terremotos de magnitude 4,3 ou superior, um salto enorme em relação à média de cerca de 12 por semana anotados ao longo do ano passado) – identificou-se num mapeamento dos grandes blocos de jazidas de xisto no país – conforme mapa abaixo destacado, fonte ANP – acrescentando ainda que as pesquisas sísmicas continuam, a todo vapor nos dias atuais, com fortes indícios que a Amazônia brasileira será o grande “el dourado” do gás – não por acaso, foram investidos milhões de dólares na construção do gasoduto Coari – Manaus – com fortes impactos aos indígenas e pescadores artesanais.'', comenta.


Terras indígenas ameaçadas
A imagem de uma terra seca e deserta apenas com dejetos tóxicos sendo despejados na pouca água que resta, é uma realidade mais próxima do pensa os brasileiros em um país rico em recursos naturais. Por isso a mobilização de ativistas, indígenas, ambientalistas e toda sociedade civil para que isso não ocorra.

"No 12° leilão, a ANP colocou à venda as jazidas do Vale do Juruá (Acre) e Vale do Javari (Amazonas), que de forma irresponsável e criminosa, sem consulta prévia, colocou em risco social e ambiental povos indígenas de recente contato e em isolamento voluntário, fato este que originou uma vigorosa força tarefa pela 350.org e instituições indígenas parceiras para sensibilizar e impedir esta agressão.'' denuncia.

Proibição da extração de petróleo e gás nas terras indígenas 

''Atuação da 350.org no Vale do Juruá e Vale do Javari que, em conjunto com o CIMI – coordenação da Amazônia Ocidental, auxiliaram o MPF a impetrar uma Ação Civil Pública com objetivo de proibir a extração de petróleo e gás nas terras indígenas do Juruá e Javari.'', afirma.


Luis Padilha (CIMI), Luiz Afonso Rosário (350), André Machado (CIMI), Dr.Thiago Corrêa (MPF), Barbara Silva (350) e Ivanilda (CIMI) – audiência em junho/2015 sobre o Fracking.

Foto: assssoria de imprensa do MPF/CZS.



''A decisão judicial (sob n° 0001849-35.2015.4.01.3001) foi expedida em razão da Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Procurador Federal Dr. Thiago Pinheiro Corrêa (foto acima) contra o Governo Brasileiro, IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), ANP (Agência Nacional do Petróleo) e a PETROBRAS, atendendo a segurança socioambiental da região e a proteção dos Povos Indígenas.'', informa.
"A título de exemplo, nos três lotes destacados pela coloração azul, no mapa acima, destaca-se a (1) região do Vale do Javari/AM (cuja decisão judicial, oriunda de ACP pelo MPF) invalidou o leilão, em São Paulo, (2) região de Bauru e Presidente Prudente, com áreas indígenas demarcadas Terena e Guarani, e no Paraná, (3) região de Guarapuava, com á segunda maior Terra Indígena do estado, Mangueirinha, etnias Kaingang e Guarani.", esclarece Luiz.


''Em laranja escuro, temos no Amazonas dois blocos que se sobrepõem a diversas áreas indígenas, principalmente do povo Mura. Maranhão, Sergipe, Paraíba, sobrepõem blocos sobre áreas indígenas, quilombolas e de pescadores artesanais. No sul da Bahia, blocos em áreas próximas aos Pataxós e Tupinambás. Neste demonstrativo acima, específico da 13° Rodada de Leilões, identificamos as inúmeras áreas de conflito com os Povos Indígenas e nas 12 rodadas anteriores, também teremos conflitos com maior ou menor intensidade. No próximo leilão, também conhecido no mercado como “leilãozinho”, denominado de 4ª Rodada de Licitações de Áreas com Acumulações Marginais tem por objeto a outorga de contratos de concessão para exercício das atividades de reabilitação e produção de petróleo e gás natural em 9 áreas com acumulações marginais, quais sejam: Araçás Leste, Garça Branca, Iraúna, Itaparica, Jacumirim, Noroeste do Morro Rosado, Rio Mariricu, Urutau, Vale do Quiricó. Estas áreas encontram-se distribuídas em 3 bacias sedimentares: Potiguar, Recôncavo e Espírito Santo. No link abaixo, observa-se como a ANP identifica os blocos ofertados ao público em geral.'', informa.


''Para o leilão a ser realizado no segundo semestre deste ano, a ANP estuda serem licitados 29 setores localizados em 5 bacias sedimentares marítimas e, em 6 bacias sedimentares terrestres. Em mar: Campos (SC-AP1 e SC-AP3), Sergipe-Alagoas (SSEAL-AP1, SSEAL-AP2 e SSEAL-AUP2), Espírito Santo (SES-AP1 e SES-AP2), Santos (SS-AR3, SS-AR4 e SS-AP4) e Pelotas (SP-AP4 e SP-AUP4). Em terra: Parnaíba (SPN-N e SPN-SE), Paraná (SPAR-CN), Potiguar (SPOT-T1B, SPOT-T2, SPOT-T4 e SPOT-T5), Recôncavo (SREC-T1, SREC-T2, SREC-T3 e SREC-T4), Sergipe-Alagoas (SSEAL-T1, SSEAL-T2, SSEAL-T4 e SSEAL-T5) e Espírito Santo (SES-T4 e SES-T6).", alerta.




12° RODADA DE LEILÕES: realizado em 28 de novembro de 2013

Leia mais neste link.

Em outros países cada vez mais os jornais tem exposto denuncias sobre o Fracking. 
Quais os maiores danos que a técnica do fracking pode trazer para as áreas impactadas?


Luiz Afonso Rosário - a)Contaminação da água potável na superfície e fontes subterrâneas por até 600 substâncias químicas tóxicas e cancerígenas. Dentre elas estão benzeno, arsênio, naftaleno, cloreto de benzilo, formaldeído, bário, chumbo, tolueno, metano, etc.

b)Causa graves e irreversíveis danos à saúde das pessoas que vivem no entorno – num raio de até 300 km (quilômetros) - dos poços onde o fracking acontece. Estudos relacionam fracking como origem de problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos, ocorrência de diversos tipos de câncer, má formação congênita,esterilidade em homens e mulheres e até o aumento da mortalidade infantil e perinatal, nascidos de baixo peso, parto prematuro e câncer em bebês e crianças.

c)POLUIÇÃO DO AR E DA TERRA: Estudos encontraram 600 substâncias químicas, destas,44reportadas por comprometer a saúde humana, afetando o cérebro e sistema nervoso, causando redução de peso e QI de nascituros e outras doenças endócrinas.

d)Radioatividade, riscos reais. Flowback 40% Evaporação

e)MUDANÇAS CLIMÁTICAS: Fracking intensifica as mudanças climáticas, através da liberação de gases que favorecem o agravamento do aquecimento global. Vazamentos de operações de gás de xisto – muito comuns - emitem gases do efeito estufa também.Com fracking há maior incidência de seca, enchentes e furacões, além de variações radicais do clima.

f)ÁGUA – BEM DE TODOS:Contaminação de recursos hídricos.
- Aquíferos nacionais, Aquíferos internacionais, Rios, Lagos, Chuva tóxica e
ácida e Piscicultura
Competição por recursos hídricos.
- 30 milhões m3 água por cada poço, Seca, Indisponibilidade hídrica, 

Abastecimento, Indústria e Economia
g)TERREMOTOS: Testes sísmicos para Fracking feitos no Paraná são suspeitos de provocar terremotos em Londrina, Maringá, Arapongas e outras 23 cidades no final de 2015 e começo de 2016, causando sérios danos as residências.

h)LOGÍSTICA E INFRA ESTRUTURA: Centenas de caminhões, Invasão da cidades e territórios,Infraestrutura viária, Infraestrutura local, ocupação temporária do território (3 a 5 anos) pela exaustão dos poços de gás e os impactos permanecem. Gasodutos, imensas quantidades de Água e Areia, Explosões, Vazamentos, Mortes de trabalhadores, Mortandade da fauna, Trabalhadores infectados, Mudança cultural e dos modos de Ser – Fazer - Viver, aumento da criminalidade, perda de Territórios.

i)ABANDONO: E agora? Milhões de campos de Fracking (gás não convencional) estão abandonados em centenas de cidades pelo mundo, contaminando, matando, eliminando a capacidade econômica e a vida. O uso do solo e das águas pós abandono é impraticável e gera uma visão completa de desolação.

Contaminação química: 25% estão ligados a câncer ou mutações, 37% afetam hormônios, 40-50% afetam os rins e sistema nervoso, imunológico e cardiovascular e 75% afetam órgãos sensoriais e sistema respiratório. Contaminação de gás metano em água potável foi 17 vezes maior próximos a campos de fracking. 60% dos poços vazam dentro de um período de 10 anos. Água de resíduo tóxica,frequentemente radioativa, armazenada em piscinas abertas – sensível ao vazamento pela incidência das chuvas -. Fluídos tóxicos que passam pelas fraturas naturais podem alcançar aquíferos de água
potável em três anos.

l)Comida cresce aonde a água corre

m)Contaminação por gás metano, proveniente das áreas de fracking


Redação Yandê
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