EDUCADORES INDÍGENAS E PARCEIROS INICIAM FÓRUM

24 OUT 2016
24 de Outubro de 2016
Por Djuena Tikuna 
Fotos:Diego Janatã


Acontece em Brasília de 24 a 28 de outubro a 2 edição do Fórum Nacional de Educação Escolar indígena, evento que pretende discutir a questão da educação diferencia nas comunidades indígenas , além do financiamento estudantil e a implementação da Universidade Indígena.  A abertura do evento lotou a Maloca do Campus da Universidade de Brasília, cerca de 200 participantes prestigiaram o início dos trabalhos, entre educadores indígenas, estudantes, pesquisadores. 

A cerimônia de abertura teve a participação do grupo Bayaroá, grupo Cuiá-Mirim, Aicüna e Kangapeba, composto por crianças Saterê Mawé, Tikuna e kambeba do Amazonas, e a entoação do Hino Nacional Brasileiro, cantado em linga materna pela cantora indígena Djuena Tikuna. Em seguida foi feita a composição da mesa com autoridades do Movimento Indígena e do Governo Federal.

Em sua fala o professor Gersen Baniwa, representando o FOREEIA, destacou o protagonismo do movimento e a participação autônoma das lideranças indígenas presentes no Fórum. “A delegação do amazonas fez questão de trazer dois grupos de estudantes indígenas  porque essa é a única razão de estarmos aqui, pela enorme preocupação que temos com nossas crianças, nossos filhos e netos, em nome desse futuro que queremos e não temos nenhuma segurança hoje é que fazemos o esforço necessário para estarmos aqui. Este fórum é um dos poucos fóruns sociais autônomos. Não temos chefe, não temos patrão. Não precisamos, quando nos reunimos sempre abemos o que fazer em coletivo, nossos antepassados nunca escreveram livros planejando o que fazer, no entanto fizeram e fizeram bonito. Viveram milhares de anos, desenvolveram civilizações fantásticas, verdadeiramente humanas, solidárias,  coletivas”.
Uma presença de destaque foi a da liderança tradicional Kayapó, Paulinho Payakã, que lembrou dos ensinamentos tradicionais como forma de proteger nossas comunidades.  “Parente, nossa tradição cada vez mais tá diminuindo sem nós perceber, sem nos prestar atenção de cada comunidade diferente, é por isso que eu tô dizendo que esse evento tá sendo importante, através dessa educação é vocês que vão fortalecer nossas comunidades, usar ensino pra guardar nossa cultura, nossa tradição. Não é mais como antigamente, quando eu dormia no colo do meu avô, ele era um professor pra mim, que ia me ensinar, pra acordar de madrugada e ensinar. Andava comigo no mato, ensinando, mostrando pra eu aprender bem, pra ter essa educação, pra não se esquecer da cultura”.

O recém nomeado, presidente “substituto” da FUNAI, Augustinho do Nascimento Netto, destacou a importância do Fórum. “Muito se disse aqui da crise e dificuldades e os povos indígenas sem a Tutela, fazendo valer seus direitos que estão estampadas na constituição e no conjunto de leis que justificam a existência da FUNAI. Os senhores e senhoras não são devedores de nada. Uma educação que procure libertar deve ser a palavra de ordem”.

Sonia Guajajara, representando a APIB – Articulação Povos Indígenas do Brasil falou do momento de homenagear os parentes que tombaram na luta pelos direitos indígenas. “E é com a força dessas lideranças que viraram encantados que estamos hoje aqui mais uma vez, eles nos dão energia para fazermos a luta em defesa dos nossos direitos. Para que cada comunidade seja guardiã de sua cultura viva. Essa é a real importância, nosso compromisso. Não à militarização da FUNAI”.  A liderança encerrou seu discurso convidando os participantes do fórum a engrossarem as fileiras da manifestação contra a PEC 241 e pela ocupação da SESAI.

Encerrando as atividades do primeiro dia, os shows culturais dos artistas indígenas: Orquestra de Violões Guarani de Dourados, Brô Mc’s e por fim, a amazonense Djuena Tikuna que encantou os presentes com seu canto ritualístico e finalizando o primeiro dia de atividades do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena.  



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