O Mistério de Nhemyrõ traz olhares sobre suicídio indígena em três regiões do Brasil

10 SET 2016
10 de Setembro de 2016
Por Renata Tupinambá

A minissérie O Mistério de Nhemyrõ aprovada para produção no edital de TVs Públicas FSA/ANCINE de 2015, com direção geral e roteiro da cineasta tocantinense Eva Pereira, é realizada em parceria do protagonista da série, co-diretor e co-roteirista, o indígena Tonico Benites. 

São 13 episódios, sendo 26 minutos cada, acompanhando uma pesquisa do indígena e doutor em Antropologia Social, Tonico Benites do Povo Guarani Kaiowá, sobre o alto índice de suicídio indígena em três regiões do país. Há mais de 40 anos seu povo sofre com crianças, jovens e adultos que decidem dar fim a própria vida.
 
“É um tema pesado e doloroso. Mas, é necessário que seja discutido e que esta discussão desperte nosso país para os inúmeros problemas enfrentados por nossos parentes e as diversas situações que acabam levando os indígenas ao estado de Nhemyrõ (não querer mais viver).",declarou Tonico Benites.

Essa série é uma realização da MZN Filmes e Cunhã Porã Filmes. Com direção de fotografia do Márcio Mazaron, consultoria de projeto Spensy Pimentel e Rodrigo Siqueira mais colaboração de conteúdo da indígena Karajá Narúbia Werreria. A previsão é ir ao ar no primeiro semestre de 2017.

"É impossível continuar a mesma depois de percorrer todos esses universos e acompanhar de perto tudo isso. O impressionante é que a força para continuar sempre brotava exatamente deles, da espiritualidade, da resistência, da luta e causa destes povos. Quando me sentia enfraquecida recorria a um rezador guarani e Nhanderu aprontava novamente minha alma para labuta.", comentou Eva.

A diretora Eva Pereira destacou o respeito as vítimas durante as filmagens e da importância das histórias difíceis de contar sair da invisibilidade. Um trabalho realmente emocionante que acompanha todo sentimento que envolve o nhemyrõ que surge junto de emoções nocivas conhecidas como tristeza, medo, desespero, raiva e que adoecem o espirito, alterando o estado psíquico das pessoas. Os Guarani Kaiowá dizem que essa é a causa de atitudes suicidas na etnia.

"Sempre rezo e peço permissão dos espíritos daqueles que se suicidaram para que possamos adentrar numa história que pertence a eles, espero sinceramente que esta série venha contribuir para que o suicídio indígena deixe de ser invisível aos olhos do Brasil e que algo possa ser feito urgentemente para salvar nossos povos.", destacou a cineasta.

Tonico em uma comunidade em São Gabriel da Cachoeira - AM.  Foto:Divulgação

A expedição de Benites mostra todas regiões em que os números de suicídios indígenas assustam, ela começa na realidade dos Kaiowá em Mato Grosso do Sul, depois ele também visita São Gabriel da Cachoeira (AM) e por último vai na Ilha do Bananal (TO). Em conversas com familiares de vitimas, líderes religiosos, antropólogos, pesquisadores e instituições, descobre diferentes olhares sobre o tema.

Além de participações em outros trabalhos audiovisuais, ele também participou como colaborador e pesquisador no filme de longa metragem “Martírio” de Vincent Carelli, com exibição prevista para o dia 22/09 no Festival de Cinema de Brasília. 

Tonico já faz planos para um novo trabalho, após a série, deseja desenvolver em parceria com o amigo kaiowá, historiador e pesquisador da Universidade Federal da Grande Dourados, Izaque João, um projeto de documentário sobre a resistência dos rezadores Guarani.

Redação Yandê
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