Indígenas são alvo dos discursos de ódio e racismo na internet

19 JUN 2016
19 de Junho de 2016




Foto: Daniel Caron/FAS - 8.jan.2016 - Crianças seguram cartazes contra racismo durante ato na Casa de Passagem Indígena, em Curitiba (PR), contra a morte do menino indígena Vitor Pinto, de 2 anos.

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar.Nelson Mandela - Long Walk to Freedom, 1995.

Comentários racistas contra indígenas na internet revelam os preconceitos, desconhecimentos e racismos da sociedade. Os conflitos e ataques contra indígenas principalmente no Estado do Mato Grosso do Sul, sempre que surgem nas manchetes e capas de jornais trazem à tona em opiniões de leitores na internet o que pensam sobre aldeias e "índios" de forma genérica. Mas por que é tão difícil o relacionamento de não indígenas com indígenas em que muitas vezes o extermínio de crianças, jovens e adultos indígenas é consentido pela sociedade ?
 
Veja no vídeo abaixo sobre alguns desses comentários:




Josiel Benites, de 12 anos, que recebeu um tiro no abdômen durante o ataque de pistoleiros em Mato Grosso do Sul. Alguns jornais divulgaram que havia morrido. Ele ainda está no hospital e passa por algumas cirurgias. 




FOTO: ANA MENDES - CIMI

''Eles ganham tudo de graça"

Vagabundos ou atrasados, e até mesmo vistos como um povo que deve ser exterminado.

A segregação racial no pensamento de muitas pessoas ainda é forte e mostra um antigo apartheid que parecia invisível mas que se faz visível nas relações e crenças sobre os povos indígenas.

O discurso de que indígenas não trabalham e ainda assim conseguem tudo facilmente é apenas uma justificativa que alguns encontraram para atitudes racistas e agressões verbais. Para essas pessoas não existem indígenas acadêmicos, professores, médicos, advogados, enfermeiros ou os que trabalham em suas roças plantando alimentos, garantido o desenvolvimento de suas comunidades.

Diferentes setores políticos e sociais imersos em pensamentos coloniais e do desenvolvimento a qualquer custo, atrapalham o real progresso do país ao não respeitar a diversidade, não enxergando as qualidades ou riquezas culturais que todos tem para oferecer, ensinar e aprender. 

Como essa opinião pública têm sido educada para odiar e acreditar que povos indígenas são uma ameaça?

O imaginário popular ainda aprisionado pela época da colonia continua reproduzindo correntes preconceituosas de pensamento que apenas prejudicam e reforçam um comportamento patológico social. Preconceitos são aprendidos na escola e educação familiar passados para diferentes gerações. As pessoas vítimas de seus próprios pensamentos racistas desconhecem a realidade indígena e reforçam os crimes de ódio, que são os motivados por preconceito.

Um jornalista foi condenado em 2013 por causa de um artigo publicado pelo site de notícias Jornal NH, Ivar Paulo Hartmann escreveu: ‘No Brasil de hoje, as tribos remanescentes são compostas por indivíduos semicivilizados, sujos, ignorantes e vagabundos, vivendo das benesses do poder branco (…).’

A ilusão de soberania racial e cultural levou muitos a loucura ao longo da história, uma das figuras mais famosas foi Adolf Hitler, que promoveu um verdadeiro massacre por causa de sua ideologia sobre existência de uma etnia superior a todas as outras.

Liberdade de expressão não tem haver com crimes de intolerância racial em que a violência é incentivada por essas pessoas que comentem tais crimes seja na internet, redes sociais ou nas ruas. Em casos de discriminação racial, o direito à indenização é um recurso para muitos que são vítimas deste crimes.


Redação Yandê
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