Evento "Brasil de todas as línguas" desperta interesse de alunos da UFRJ nas filosofias indígenas 

28 ABR 2016
28 de Abril de 2016
O debate sobre as línguas indígenas e filosofias na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (28), 11h organizado pelo Esttrada, reuniu aproximadamente 300 pessoas. 

A proposta do evento em "Escutar as centenas de línguas indígenas faladas no Brasil. Para que possam trazer sua filosofia de vida e as nuances de suas múltipla vozes, timbres, assonâncias, ressonâncias e a enorme riqueza cultural e memorial de que cada uma delas é portadora", despertou o interesse dos estudantes e levantou questionamentos sobre o por que das línguas indígenas não serem ensinadas na universidade. As filosofias que as envolvem, pensamentos e cosmologias revelam mundos desconhecidos pela sociedade. 

O evento contou com a participação de: Anapuaka Muniz Tupinambá, Renata Machado Tupinambá, Denilson Baniwa, Márcia Kaingang, Bruna Franchetto, Andrea Lombardi, André Vallias, Marcus Maia
Nayana Montechiari, Suzi Lima, Vitor Alevato  e Walter Alves do Amaral.

Andrea Lombardi principal idealizador do debate acredita que a universidade precisa abrir espaço para escutar o outro, suas múltiplas vozes e pensamentos. O Artista visual e poeta André Vallias apresentou o belo poema Totem que encantou o público, como um chamado e despertar para as várias culturas existentes no país. 

"Não me lembro de ter participado de um evento em universidade tão concorrido como foi hoje "O Brasil de Todas as Línguas". O auditório E1 da Faculdade de Letras da Ufrj ficou apinhado de gente, com estudantes sentados até no chão e no palco. Muitos não puderam entrar. Bombou!", escreveu em sua rede social.

 "Falar uma língua indígena é um ato revolucionário", disse a linguista e antropóloga Bruna Franchetto.

A jornalista e especialista em etnomídia da Yandê Renata comentou sobre a escrita, oralidade, os desafios da tradução e cosmologias que envolvem a palavra falada nas línguas indígenas. Alertando que ao passar para escrita e serem traduzidas muitas palavras perdem seu verdadeiro significado. Por isso é fundamental o entendimento das filosofias indígenas. Não bastando traduzir ou apenas documentar mas compreender os mundos das quais fazem parte. "A língua é todo o espírito de um povo.", afirmou antes de cantar uma música em Tupi. "Um professor chamado André Cauty dizia sempre para seus alunos que traduzir é colonizar.", sinalizou durante seu depoimento.
Foto: Divulgação - Anápuaká Tupinambá
O publicitário e comunicador da Yandê Denilson Baniwa contou um pouco sobre o processo histórico brasileiro e comportamento em relação as línguas indígenas. A proibição e violências sofridas ao longo do tempo por indígenas serem impedidos de falar suas línguas durante o processo de educação ocidental imposta aos povos. Também sobre o espaço acadêmico ser um espaço de formação de pensamento e que os alunos devem buscar fazer a diferença.

Márcia Kaingang, do clã Kamé, única aluna indígena no momento doutoranda em linguística na UFRJ, mostrou sua pesquisa e língua de seu povo.

O comunicador Anápuáka falou sobre os trabalhos realizados pela Rádio Yandê com músicas indígenas e áudios em diferentes línguas indígenas, o uso das tecnologias ajudando no resgate, documentação e valorização das línguas.

Redação Yandê
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