Literatura Infantil e temática indígena – Construindo laços

11 ABR 2016
11 de Abril de 2016
Por Melissa Monteiro

Circular entre mundos não é tarefa fácil mas, se algo há que torna possível imaginar este lugar tão improvável, este “algo” é a literatura. Quando a literatura se propõe a abrir caminhos através dos mais jovens, ela é uma ferramenta de transformação ainda mais poderosa e revolucionária, pois projeta no futuro possibilidades que o presente pode temer, desconhecer ou voluntariamente ignorar. Isso é assim, porque a infância é um destes lugares muito particulares nos quais se constroem identidades e em que se conhecem universos que compreendem muitos mundos diferentes, mas capazes de dialogar entre si.

No recanto do universo habitado pela criança, os textos literários de autoria indígena se propõe a conhecer para respeitar a intrínseca relação do homem com a natureza, uma percepção que há muito vem sendo perdida por um mundo materialista e pragmático, mas que a criança ainda parece ser capaz de entender.

Os laços entre a escola e a literatura se comungam, pela responsabilidade da instituição escolar passar os códigos da leitura e da escrita às crianças, bem como pela capacidade de interpretar o mundo através do livro. A literatura tem esse papel encantador de aproximar, iluminar a infância e as histórias criam novos sentimentos nas crianças em relação ao mundo e a tudo o que as cercam. Historicamente, os textos e histórias infantis sempre foram utilizados na formação sociocultural das crianças.

A literatura infantil sempre teve uma função social de educar, instruir e moldar um modelo de infância, mas também pode ser transformadora. A criança quando ouve, lê e é envolvida por uma narrativa literária torna-se capaz de expandir o seu próprio mundo e desenvolver-se enquanto indivíduo emocional e social.

Os textos de autoria indígena são, tanto proteção, quanto resposta, em um contexto de não reconhecimento dos direitos dos povos indígenas brasileiros. Esse é um caminho cuidadoso, pois busca se apropriar de alguma forma do espaço não-indígena para justificar e valorizar suas questões históricas e sua luta por direitos.

A literatura indígena é, portanto, uma expressão acabada de desejos profundos e/ou inconscientes, nutridos de beleza e sabedoria guerreiras que lhes são inerentes. A literatura, assim entendida como um direito social e político, carrega em si uma função que o escritor tem em relação à sociedade, ao ser portador de algo novo e transformador, ou mesmo reproduzindo aquilo que este acredita que deve ser mantido e preservado.

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