7 Dicas que comunidades indígenas podem usar para proteger seus territórios 

08 FEV 2016
08 de Fevereiro de 2016
















Indígena do Povo Paiter-Suruí em oficina do Google Earth de monitoramento colaborativo e mapeamento cultural

Foto: Israel Vale/Associação Kanindé

Os territórios indígenas sofrem com invasões e ataques constantemente, muitos indígenas já realizam iniciativas em defesa das terras indígenas, com projetos que auxiliam na defesa de seus direitos. A grande dificuldade em algumas regiões é o não acesso a meios que possam ajudar na hora de se comunicar ou mostrar o que está acontecendo.



1 - Áreas isoladas ou de difícil comunicação devem montar estratégias que permitam usar ferramentas de comunicação para fazer registros por meio de fotos, vídeos e áudio. É fundamental locais sem acesso a internet, luz ou linhas telefônicas organizar formas de melhorar a comunicação. O isolamento deixa as comunidades vulneráveis.


2 -  Sempre possuir contatos de órgãos responsáveis pela proteção da área e dos direitos indígenas, como também dos veículos de comunicação confiáveis ou que possam ajudar nas denúncias. 

3 - Cuidado com desconhecidos ou ações de membros da comunidade que possam ser usadas contra o povo na terra indígena, principalmente lideranças.


4 -  Conhecer os direitos e leis das terras indígenas, saber situação jurídica da área junto da União, Ministério Publico Federal e Fundação Nacional do Índio.


5 - Conhecer e realizar projetos que auxiliem em ações de vigilância do território enquanto estratégia de segurança. Indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia brasileira participaram de um projeto de capacitação do Google Earth para usarem imagens de satélite e aplicativos de celular para o monitoramento de seus territórios. O objetivo tem sido proteger as áreas de madeireiros e invasores com o uso de novas tecnologias sem depender dos não indígenas para criar seus próprios mapas ou fazer denúncias. 

Um projeto em parceria com o Greenpeace que também envolve o uso de tecnologias, auxiliou indígenas Ka’apor a usar armadilhas fotográficas e rastreadores para combater a invasão de madeireiros na TI Alto Turiaçu, no Maranhão. 


6 - A mídia pode ser uma boa ferramenta quando bem utilizada, para que órgãos sejam pressionados a agir com rapidez e também tornar pública uma denúncia. É preciso ter cuidado com jornalistas de empresas que já possuem histórico em não informar com imparcialidade situações de conflito, mostrando apenas o ponto de vista de fazendeiros ou empresas que cobiçam a terra indígena e não indígenas, também reproduzindo preconceitos. 


7 - Áreas de retomadas devem ter cuidado redobrado pois são as que mais ocorrem assassinatos de lideranças. É preciso conhecer todos os interessados e envolvidos na disputa da terra. Antes de realizar a retomada sempre estar prontos para situações de conflito e montar alguma forma de proteção por meio da presença de pessoas públicas e representantes de órgãos como o Ministério Publico Federal, Fundação Nacional do Índio e outros ligados ao Ministério da Justiça. São importante no local testemunhas do que está ocorrendo que não sejam apenas os membros da comunidade.


As sete dicas sugeridas já são utilizadas por muitas comunidades, mas na grande maioria falta apoio para que possam efetivamente realizar ações de proteção.


Redação Yandê
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