Professores são formados em língua nheengatu

05 FEV 2016
05 de Fevereiro de 2016

 Foto: Lenne Santos

Por Lenne Santos - Comunicação/Ufopa

O som do maracá – instrumento indígena – é usado para invocar os ancestrais e, a exemplo do que ocorre nas aldeias, a cada conquista um ritual de agradecimento. No entardecer desta quinta-feira, 4 de fevereiro, o ritual no Centro Maíra de Formação Indígena foi para comemorar a formatura do Curso de Língua Nheengatu. Resultado de uma parceria entre a Universidade Federal do Oeste do Pará e o Movimento Indígena do Baixo Tapajós, o curso, com duração de dois anos, é dividido em quatro módulos intervalares, e desde 2014 passou a integrar o rol de ações afirmativas da Ufopa, conforme explica o Diretor de Ações Afirmativas, Prof. Florêncio Vaz.

“Esse curso já era uma iniciativa antiga do movimento indígena, e com a entrada da Ufopa nós trouxemos professores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O quadro de professores é composto também por indígenas do Alto Rio Negro. Dessa forma fazemos a junção do conhecimento nativo do falante da língua com o conhecimento acadêmico, formal e o resultado é que agora nós temos professores altamente capacitados na língua nheengatu que são capazes de ler e de se comunicar perfeitamente com seus alunos”, afirma Vaz.

O professor informou ainda que, além de melhorar o ensino nas aldeias, a parceria já rendeu a edição de um livro intitulado “Nheengatu Tapajoara”. “O próximo passo será o lançamento de um CD com canções em língua nheengatu com composição dos professores e alunos do curso”, conclui. O CD terá o apoio do músico e servidor da Ufopa Fábio Cavalcante.

Nesta turma, nove professores que já atuam na educação indígena estão formando-se. É o caso de Elícia Tupinambá, que há 4 anos leciona na aldeia Pajurá, localizada na margem esquerda do rio Tapajós. “Esse curso vem para fortalecer a nossa língua. O conhecimento adquirido aqui está proporcionando um diálogo em nheengatu com nossos alunos, dentro da aldeia, o que antes não havia”.

Professor do ensino f undamental indígena há 5 anos, Joel Costa Lopes leciona na escola da Aldeia de Arimum, Terra Cobra Grande, no rio Arapiuns. Ele pretende conquistar a fluência na língua nheengatu, que era falada por seus antepassados e que acabou perdendo-se com o passar do tempo. “Meus avós falavam o nheengatu e nós acabamos esquecendo, deixando de lado. Agora é um momento de resgatar essa cultura por meio da língua e da linguagem e o curso ajuda muito nesse aspecto”, conclui.

No total, 2.500 alunos estão matriculados nas 45 escolas indígenas que funcionam dentro do Território Étnico Educacional Tapajós Arapiuns (TEETA), que reúne 13 etnias dos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro.

Além do Diretor de Ações Afirmativas da Ufopa, Prof. Dr. Florêncio Vaz, estiveram presentes à cerimônia de formatura do Curso de Língua Nheengatu a Diretora de Cultura da Ufopa, Profa. Deize Carneiro; o pró-reitor de Gestão Estudantil (Proges), Prof. Valdomiro Sousa; Edgar Maytapu, do Grupo Consciência Indígena; e Iara Ferreira, coordenadora de Educação Indígena da Secretaria Municipal de Educação (Semed).

Fonte: http://www.ufopa.edu.br/noticias/2016/fevereiro/professores-sao-formados-em-lingua-nheengatu

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