Mãe de bebê indígena assassinado em Santa Catarina pede justiça e questiona delegado

06 JAN 2016
06 de Janeiro de 2016
Um grupo de aproximadamente 100 pessoas fizeram um protesto nesta quarta-feira (06), em frente à delegacia de Imbituba, pela morte do menino indígena Vitor Pinto da etnia Kaingang, de dois anos, assassinado no dia 30/12 do ano passado. 

O delegado Rafael Giordani foi questionado pela mãe da criança, Sonia da Silva e pelos manifestantes porque o suspeito, Matheus A. da Silveira de 23 anos, está preso na Unidade Prisional de Imbituba temporariamente por não ter havido flagrante. A indignação dos pais do bebê é que ele seja liberado pela polícia. 

Laudos periciais vão apontar se o crime foi de motivação preconceituosa, como suspeita a família da criança, pela escolha do acusado em atacar uma criança indígena e não ter ficado na cena do crime, o que impossibilitou o flagrante. 

Não se sabe se tem confirmação se o acusado possui problemas psicológicos ou é usuário de drogas. Em seu perfil em uma rede social ele compartilhava imagens e frases como: "NICTOFILLIA (SF); afinidade pelas trevas ou pela noite. qualidade daquele que encontra conforto na escuridão."

"Olhem as postagens desse rapaz: olhem as imagens! Louco? Nao, me perdoe, de louco ele nao tinha nada. Muitos aqui sao muito mais loucos que ele......apenas queria ibope e achou da pior forma.", trecho de um comentário do público na rede social do suspeito.

Segundo informações ele teria passagem pela polícia por violência doméstica e problemas com sua família mas pouco se sabe sobre o suspeito que vivia no bairro Vila Alvorada. Existe quem afirme nas redes sociais que ele foi um jovem vítima de bullying na escola mas nenhuma afirmação que ajude a compreender o ocorrido.

"— Se tivesse sido um crime cometido porque ele é louco ou drogado, ele teria matado qualquer outra pessoa, outra criança. Porque escolheu exatamente um índio ?",  comentou Sonia da Silva, em público durante o protesto.







 








(Foto: Isabel Malheiros/RBS TV)

Muitas famílias indígenas vivem da venda de artesanato e descansam em rodoviárias, locais em que são vítimas de situações que envolvem preconceito, vistos como incômodos e até expulsos. A cena se repete em diferentes regiões. O fato de serem indígenas também faz com que criminosos acreditem que podem cometer seus crimes e permanecer na impunidade, outros casos de poucas repercussão também são recorrentes. 

"Eles vinham para praia do Cassino todos anos, eu vi a moça gravida desta criança, eles vendiam artesanato na praia, esse ano não vieram e ficaram em Guaporé", lembrou, Regina Dias, que conhece a família indígena.

O delegado regional de Laguna José David Machado afirmou durante o Jornal do Almoço que o suspeito pode ter cometido o crime por vingança. (Vídeo)

Extraoficialmente, ele informou para uma policial que, algum tempo atrás, foi vítima de dois indivíduos que quebraram o braço dele e eles seriam indígenas. Talvez aí, tenha assimilado aquele golpe e viu ali uma maneira de extravasar aquela raiva”, disse o delegado.

Moradores da Aldeia Condá, de Chapecó, familiares e a cacique da Aldeia Condá e tia do menino, Márcia Rodrigues, foram com um carro da Funai acompanhar o protesto. A Fundação Nacional do Índio, em Brasília, já solicitou que a Polícia Federal seja incluída responsável por uma investigação paralela no caso.

Redação Yandê
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