Estudantes indígenas realizam terceiro encontro nacional

02 OUT 2015
02 de Outubro de 2015














Foto: 7G Documenta

A abertura do III Encontro Nacional de estudantes indígenas foi no dia 28/09, na Universidade Federal de Santa Catarina e reuniu participantes de diferentes regiões do país. Grupos de trabalho cuidaram das atividades, apresentações e mesas de debate no evento

"Somos três etnias no estado de Santa Catarina: Guarani, Kaingang e Laklanõ/Xokleng, e somos mais de trezentos povos pelo país. Estamos nas mais diversas universidades, incluindo a UFSC e por isso este é um momento único, em que podemos sim mudar o ambiente de nossa universidade: é hora de pintarmos a UFSC com jenipapo e urucum. É hora de cantar nossas canções! A universidade tem aberto as portas dos fundos para que entremos, o choque cultural que sofremos também é sentido em nossos pratos. Não há uma discussão sobre alimentos e sua carga ancestral, não há respeito com nossas culturas.Somos obrigados a nos adequar a um sistema produtivista e tratados como estrangeiros em nosso próprio território. Tornamos então o RU, também um referencial em nossas discussões, é uma questão de valorização, de representatividade e respeito a nós, povos originários." trecho do texto da estudante de nutrição na UFSC, Txulunh Gakran, da etnia Laklãnõ/Xokleng.

GTs de Educação Indígena, Ciências da terra, sustentabilidade, meio ambiente, direito indígena, território movimento indígena, ciências da saúde, medicina tradicional, tecnologias da informação, comunicação, demanda indígena dentre outros fizeram importantes reflexões. 

O cine demarque, apresentou os filmes “Índio Cidadão?” (52m, Brasil, 2014) e “Índios no Poder” (20m, Brasil, 2015), ambos do diretor Rodrigo Siqueira.

A mesa sobre DEMARCAÇÃO E TERRAS INDÍGENAS foi uma das mais polêmicas do encontro, contou com a participação de Deoclides Kaingang, que relatou como a luta pela demarcação de terras do Povo Kaingang está mais difícil nos últimos anos, processos estão paralisados desde 2013. Pessoas vinculadas ao agronegócio, como a senadora Gleise Hoffman do Paraná, ministra da Casa Civil. E sobre a importância de anulação da tese do marco temporal no TRF da 3ª Região, sobre a restrição do direito de demarcação das terras para as comunidades que estivessem dentro da terra em 1988 - no marco da promulgação.

Dinamam Tuxá, comentou sobre as primeiras legislações acerca de direitos territoriais indígenas, como a a demarcação de Terras Indígenas está virando mito no Brasil e os perigos da PEC 215. Alertou sobre os assassinatos de indígenas Tupinambá, na Bahia, do Povo Kaiowa e Guarani no Mato Grosso do Sul. 

Luiz Eloy, advogado indígena, nascido na Terra Indígena Taunay-Ipegue no Mato Grosso do Sul, relatou sobre sua trajetória acadêmica, as atividades em defesa das comunidades indígenas, perseguição, extermínio  e a criminalização de lideranças indígenas. 

Sobre a programação click aqui.

O encontro e as mesas de debate foram transmitidas ao vivo para os internautas. No dia 30/09, a Banda Coisa de índio realizou uma apresentação especial na Concha Acústica, praça central da UFSC. Nesta quinta - feira (01/10), foi realizado um ato Contra o Massacre aos Povos Indígenas, segurando cartazes e faixas os estudantes caminharam pelas ruas de Florianópolis. 

Redação Yandê
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