Povos indígenas de Roraima decidem paralisação por tempo indeterminado das escolas estaduais indígenas e reivindicam exoneração da Secretária Estadual de Educação Selma Mulinari

14 AGO 2015
14 de Agosto de 2015














Foto: Mayra Wapichana

Após cinco dias de intensa mobilização indígena em Roraima, com a presença de mais de quatro mil indígenas na praça central da capital roraimense, Boa Vista, o movimento indígena decidiu na manhã desta sexta-feira, 14, a continuidade da paralisação das escolas estaduais indígenas e reivindicam a exoneração da Secretária Estadual de Educação, Selma Mulinari. 
Os povos indígenas decidiram coletivamente que permanecerão com as 265 escolas estaduais indígenas paralisadas, até que o Governo atenda a reivindicação. As escolas atendem mais de 14 mil alunos indígenas de diferentes povos, Macuxi, Wapichana, Taurepang, Patamona, Sapará, Ingaricó, Wai-Wai, Yanomami, Ye`kuana e Ingaricó, que vivem em diversas regiões das 32 terras indígenas existentes no Estado. 
A exoneração da Secretária de Educação, Selma Mulinari, vem em consequência de várias questões apresentadas pelas comunidades indígenas durante o movimento, porém, o principal motivo é a forma discriminatória e preconceituosa com que tem agido contra os povos indígenas. 

Um ato visível ocorreu no primeiro dia da mobilização, 10, quando uma comissão de lideranças indígenas foi impedida de protocolar documento na sede da Secretaria. Os portões foram trancados a cadeado, polícias fortemente armados, com cães de guarda, permaneceram no local o dia todo.    

Porém, toda a semana o movimento indígena protocolou documento junto aos órgãos públicos, Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público Estadual (MPE), na Assembleia Legislativa do Estado, inclusive, participou de quatro audiências públicas apresentando a pauta sobre educação escolar indígena. 

Ontem, 13, uma comissão de trinta lideranças indígenas participou de uma reunião com a Governadora do Estado, Suely Campos. A aprovação do Plano Estadual de Educação, com a inclusão da modalidade da educação escolar indígena, foi atendida pela Governadora. No entanto, a principal reivindicação do movimento indígena que é a exoneração da Secretária, irmã da Governadora, não foi acatada e segundo a Chefa executiva, é uma condição inaceitável. 

Diante da negação da Governadora, as lideranças indígenas decidiram permanecer com as 265 escolas estaduais indígenas paralisadas por tempo indeterminado, até que o Estado dê um retorno favorável quanto o pedido de exoneração da Secretária. Por conta disso, a mobilização tende a intensificar com a perspectiva da vinda de mais comunidades indígenas para Boa Vista. 

Para a liderança tradicional Nelino Galé, do povo Macuxi, da Terra Indígena Raposa Serra do Sol não há nada o que negociar com o Governo do Estado em relação à Secretária e entende que a mesma não tem respeito e nem compromisso com a educação escolar indígena e frisa que direito constitucional não se negocia, se cumpre. “Não negociamos nossos direitos indígenas conquistados na Constituição Federal, o governo tem que atender e cumprir o que já está garantido para nós”, afirma Nelino Galé.

O movimento que ocorre desde segunda-feira, 10, faz parte da programação da IV Marcha dos Povos Indígenas de Roraima, evento alusivo ao Dia Internacional dos Povos Indígenas, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e celebrado anualmente no dia 9 de agosto. 

A Marcha quem vem sendo promovida pelas organizações indígenas com o apoio de entidades sociais, entra para a história do movimento indígena de Roraima que reuniu nesses dias o maior número de indígenas na capital roraimense.

Fonte: Conselho Indígena de Roraima 

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