Indígenas de Taiwan criam sistema de turismo para serem reconhecidos pela sociedade

19 JUL 2015
19 de Julho de 2015
Uma imponente cabeça de pedra de um ancião tribal gera cerca de 200.000 visitantes por mês para um museu indígena nas montanhas e florestas ao sul de Taipei, Taiwan. No interior do museu também se pode ver fotos e pinturas que retratam indígenas Atayal ostentando tatuagens com padrões geométricos no rosto, marcando não só uma tradição de beleza, como também um ritual de passagem à idade adulta de homens e mulheres da etnia.

Hoje, são apenas 86 mil indígenas Atayal que vivem em Taiwan e as tatuagens tribais estão fora de moda. Mas o Atayal Museu Wulai é apenas um de uma lista crescente de atrações de grupos indígenas dentro de uma sociedade com maioria chinesa. "Você pode vir até aqui e ter uma profunda compreensão da história de um povo indígena, e conhecendo cada um desses povos podemos entender a história de toda a ilha", disse o visitante do museu Chloe Chen, 27, um especialista em marketing de Taipei.

Os primeiros habitantes de Taiwan registrados construíram assentamentos datados de pelo menos 3.500 anos atrás, enquanto os chineses começaram a entrar na ilha cerca de 400 anos. Desde então, os 15 grupos indígenas identificados da ilha foram reduzidos para 2% da população de habitantes de Taiwan. Eles formam uma subclasse econômica em zonas de montanhas e ao longo da costa leste da cidade.

Dez anos atrás, no entanto, o então presidente Chen Shui-bian trouxe-os de volta ao foco, em parte, para deixar claro que as raízes étnicas de Taiwan não são idênticas aos da China continental. Chen tentara lançar Taiwan como etnicamente notável para apoiar seu objetivo de independência formal da China continental.

Desde 2007, Chen vem levantando um orçamento anual para assistência indígena que já chega a 195 milhões dólares, mais que o dobro de uma década antes, tudo para melhorar a educação, a saúde e os padrões de vida em suas aldeias. O Presidente Ma Ying-jeou, que tomou posse em 2008, ofereceu autonomia limitada local em áreas tribais e está planejando construir 30 escolas em 2023 para ajudar a preservar as culturas nativas.

"Os taiwaneses querem se diferenciar dos chineses. Um movimento de independência surgiu de uma parcela de indivíduos taiwaneses que é de sangue indígena, não chinês", disse Linda Arrigo, pesquisadora norte-americana, nascida em Taiwan.

Mais ou menos há 15 anos, lideranças de Taiwan pediram a integração de cidadãos indígenas, uma vez que isto facilitaria a inclusão de suas línguas, crenças religiosas e estilo de vida dentro dos espaços político e social do Estado. Agora, os Museus são os atores de uma nova fase, que incluem também restaurantes, parques e resorts nas montanhas. Um dos museus ao ar livre mostra a arquitetura tradicional de nove grandes tribos. Uma aldeia agrícola Atayal oferece visitas a cabanas tradicionais e práticas agrícolas iguais aos praticados milenarmente na região.

Os povos indígenas possuem cerca de 250 pousadas, restaurantes e resorts, em comparação com os 50 de uma década atrás. Um Conselho do Governo dos Povos Indígenas foi criado para que as discussões sobre estes espaços fossem realizadas em conjunto. "Alguns visitantes querem saber sobre as nossas cerimônias, nossos alimentos e nossas formas de viver, outras pessoas querem ir para a natureza, e a maioria destes lugares são num ambiente natural" disse Yapasuyongu, membro da tribo Zou do sul de Taiwan e vice chefe do conselho de planejamento econômico.

“O Turismo elevou os rendimentos para aldeias indígenas. Foram 675.000 visitas registradas no ano passado”, disse Yapasuyongu. Apesar da valorização econômica, multidões em alguns pontos estão ameaçando a paisagem e ambiente tradicional, desta forma a aldeia agrícola Atayal permite apenas 30 visitantes por dia, em parte por falta de comida para compartilhar e outra para que uma multidão não cause transtornos ao meio ambiente. "Nós estamos conduzindo nossas vidas aqui", disse o coordenador do reserva Lee Yi-Hsuan. "Estamos com medo de [turistas] destruindo o meio ambiente."

Mapa de povos indígenas das montanhas de acordo com a distribuição geográfica tradicional.
Fonte original em inglês: http://www.latimes.com/world/asia/la-fg-taiwan-museum-20150718-story.html
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